
Produção dirigida por Laia Orisa celebra 25 anos do programa catarinense que levou a voz das periferias para a televisão aberta e já acumula seleções em festivais nacionais e internacionais
Em uma época em que a cultura Hip Hop ainda enfrentava barreiras para ocupar espaços na mídia tradicional, um programa produzido em Santa Catarina abriu e escreveu um capítulo importante da história da comunicação brasileira.
Agora, 25 anos depois, essa trajetória ganha vida novamente através do documentário Nação Hip Hop: Cultura de Rua, dirigido pela artista visual e ativista do Movimento Negro Laia Orisa.
“É de imensa importância ver a cultura do Hip Hop, da comunidade, a história brasileira, de Santa Catarina, que por muitas vezes é esquecida, sendo colocada em telões e relembrada com a sua devida importância”, afirma a jovem diretora.
Com pré-estréia marcada para o dia 2 de julho, na Sala de Cinema Gilberto Gerlach, em Florianópolis, o curta-metragem com duração de 15 minutos já ultrapassou fronteiras e foi selecionado para dez festivais no Brasil e no exterior, além de conquistar o prêmio de Melhor Montagem no Festival Curta Noite!, no Rio de Janeiro.
Mais do que contar a história de um programa de televisão, o documentário resgata um período em que o Hip Hop catarinense encontrou uma das suas mais importantes ferramentas de visibilidade e fortalecimento cultural.
Pioneirismo na televisão brasileira: O Hip Hop na TV aberta
Exibido inicialmente pela TV Cultura de Santa Catarina entre 2001 e 2002 e posteriormente pela TV Bandeirantes SC entre 2004 e 2006, o programa Nação Hip Hop tornou-se o primeiro programa independente de TV aberta do país dedicado exclusivamente à cultura Hip Hop.
Apresentado pelo jornalista e ativista Ed Soul, o projeto surgiu como uma extensão das ações desenvolvidas pelo Grupo Nação Hip Hop SC, coletivo que há décadas atua nas periferias catarinenses promovendo arte, educação e cidadania através dos quatro elementos da cultura Hip Hop: MC, DJ, Breaking e Graffiti.
O alcance foi expressivo para a época. Estima-se que mais de cinco milhões de espectadores tenham acompanhado o programa, consolidando uma audiência histórica para uma iniciativa independente voltada à cultura periférica.
A periferia ocupando e conquistando novos espaços
O documentário abre com uma cena simbólica. Em março de 2025, Ed Soul atravessa o vão central do Teatro Ademir Rosa, no Centro Integrado de Cultura (CIC), diante de uma plateia lotada que aguardava a apresentação de um dos maiores nomes do rap nacional: MV Bill.
A imagem representa mais do que um show. Simboliza a presença da periferia ocupando espaços historicamente pouco acessíveis para sua população, reafirmando o papel transformador da cultura Hip Hop.
Essa ideia atravessa toda a narrativa do filme, que utiliza depoimentos e arquivos históricos para demonstrar como o movimento ajudou a construir identidade, pertencimento e oportunidades para milhares de jovens ao longo das últimas décadas.
Legado: Memória viva do Hip Hop catarinense

Para reconstruir essa história, Laia Orisca reuniu depoimentos de personagens fundamentais para o desenvolvimento do movimento em Santa Catarina.
Participam do documentário:
- Ed Soul
- MV Bill
- Jupira Dias
- Marcos Antonio Batista
- Paulo Cézar Júnior
- Carlos Pereira
- Marcelo Corcel
As entrevistas são costuradas com imagens de arquivo raras, registros do programa original e memórias que revelam os desafios enfrentados para manter um projeto independente voltado à cultura urbana no início dos anos 2000.
O filme também traz participações históricas de personalidades que passaram pelo programa ao longo de sua trajetória, como Cacá Diegues, Chorão (vocalista do Charlie Brow Jr.), Douglas Silva e integrantes dos Racionais MC’s, reforçando a relevância do Nação Hip Hop para a cultura brasileira.
Rap: Trilha sonora que atravessa gerações
A trilha sonora funciona como uma linha do tempo afetiva para os amantes do rap nacional.
Entre as músicas presentes estão clássicos que marcaram gerações como:
- “Só Deus Pode Me Julgar” – MV Bill
- “Vida Loka II” – Racionais MC’s
- “O Menino do Morro” – Facção Central
As faixas ajudaram a contextualizar o período retratado e reforçam a conexão entre a história do programa e a evolução do Hip Hop Brasileiro.
Registro Histórico: Um legado que continua vivo
Para a diretora Laia Orisa, o projeto também foi uma jornada de descoberta pessoal.
“Fazer o documentário foi uma aula de história, foi ficar imersa em vinte anos de cultura e arte escondidas em meio a fitas cassetes, e mini DVS e aprender novamente a minha própria história”, conta Laia.
Segundo ela, mergulhar em fitas cassete, MiniDV’s e arquivos históricos foi uma forma de revisitar não apenas a trajetória do Nação Hip Hop, mas também compreender aspectos importantes da própria história do movimento negro e da cultura periférica em Santa Catarina.
A produção surge em um momento em que a preservação da memória cultural se torna cada vez mais necessária. Em tempos de consumo acelerado de informação, documentários como Nação Hip Hop: Cultura de Rua ajudam a registrar experiências que poderiam se perder com o passar dos anos.
Mais do que uma homenagem ao passado, o filme reafirma a importância do Hip Hop como ferramenta de transformação social, educação, resistência e construção de identidade.
Ao recuperar a história de um programa que abriu espaço para vozes frequentemente silenciadas pela grande mídia, o documentário demonstra que o legado do Nação Hip Hop permanece vivo, inspirando novas gerações a ocupar espaços, contar suas próprias histórias e fortalecer a cultura das ruas.

Prêmios e Indicações:
● 4a Mostra Audiovisual Wallace Leal Valentin Rodrigues (Exibição – Brasil SP)
● HipHop Cinefest (Concorreu prêmio – Itália)
● FilMuzik Arts Festival – Prêmio Rocco Gatto (Concorreu Prêmio – Itália)
● Festival Curta Noite! – 2a edição (Vencedor Melhor Montagem – Brasi RJl)
● Prêmio PrimeirOlhar 2026, ENCONTROS / 26o Festival de Cinema de Viana
(Concorreu a prêmio – Portugal)
● 21a CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto. Selecionado para exibição na “TV
UFOP” da Mostra Contemporânea de Curtas. (Exibição – Brasil MG)
● 20th anniversary of The Detroit Trinity International Film Festival (Exibição – EUA)
● Mostra “Cine que Une” – Museu da Imagem e do Som do Paraná (Exibição – Brasil
PR)
● InEdit – festival de documentários musicais (Exibição – Brasil SP)
● IV Festival de Cortometrajes de Mujeres Directoras Y/O Productoras (Exibição – Colômbia
Serviço:
Pré-estreia: 02 de julho de 2026
Local: Sala de Cinema Gilberto Gerlach (CIC) – Florianópolis (SC)
Documentário: Nação Hip Hop: Cultura de Rua
Direção: Laia Orisa
Duração: 15 minutos
Produção: Rio Produções e Grupo Nação Hip Hop SC
Sugestão de pauta: Dari Pasternak e Letícia Kapper





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