Crédito: Divulgação / Assessoria de imprensa

Diretamente da Vila Arapuá, zona sul de São Paulo, a artista Kelly Neriah segue consolidando sua trajetória como uma das vozes autênticas do hip hop nacional

Existem artistas que cantam.

E existem artistas que transformam vivência em legado.

Diretamente da Vila Arapuá, zona sul de São Paulo, a rapper e cantora Kelly Neriah carrega no microfone uma trajetória construída entre dor, resistência, sobrevivência e propósito.

Muito antes dos palcos, dos lançamentos e do reconhecimento dentro da cultura hip-hop, havia uma adolescente tentando sobreviver às dificuldades da vida enquanto assumia responsabilidades cedo demais.

“Perdi minha mãe muito cedo. Com 15 anos, eu e meu irmão morávamos sozinhos. Em meio às dificuldades, ele começou a escrever algumas rimas com amigos da quebrada e me chamou pra cantar uns refrões. De repente, eu estava cantando com vários grupos da periferia”, relembra.

O início, entre dificuldades e desafios

Com mais de duas décadas de vivência dentro da cultura, Kelly Neriah – nome artístico de Kelly Pereira Mizael – construiu uma caminhada pautada na resistência, identidade e compromisso social.

Mais do que música, sua atuação representa uma vivência real das ruas, das batalhas cotidianas e da construção coletiva que molda o hip hop brasileiro.

Aos dez anos de idade Kelly, deu seus primeiros passos na música em corais de igreja se destacando com uma voz que já dava sinais de sua assinatura artística.

Na adolescência, atuou como backing vocal para alguns artistas e, no final da década de 90 circulava em rodas de samba e eventos de rap na zona sul de São Paulo colaborando com alguns grupos e cantores. A cantora ressalta que esse período foi marcado por muito aprendizado a cada show e eventos que realizava.

Do grupo Versão Popular a conexão com vozes femininas do rap

A partir de 2003, passou a integrar o grupo de rap Versão Popular, ao lado de nomes como Leandrão, Cocão Avoz e DJ Zeca, onde permanece até hoje desenvolvendo um trabalho sólido dentro da cena, o grupo lançou um álbum chamado “Quem Viu, Viu” com 12 faixas e participações especiais de Sérgio Vaz, Wesley Nóog, Cleitom, Erick 12 e B Valente.

Em 2014, o grupo se apresentou no extinto programa Manos e Minas, da TV Cultura apresentado a época por Max B.O. e além de cantarem suas músicas também falaram sobre suas inspirações e a relação com o Sarau Cooperifa.

Em 2023, passou a integrar o projeto Gangsta e Poesias, que une música, audiovisual e encenação teatral, com foco no rap de mensagem em estética old school e boombap acústico, protagonizado por mulheres do rap nacional.

Um dos destaques é a cypher “Não Me Pertence Mais”, reunindo artistas como Sharylaine, Tuca Lélis, Lauren Priscila e Dona Kelly (Ao Cubo), abordando temas como traumas, conflitos sociais e saúde emocional.

O projeto vem ganhando força com apresentações impactantes em SESCs, Casas de Cultura, Fábricas de Cultura e diversos territórios pelo Brasil, incluindo Distrito Federal, interior de São Paulo e periferias urbanas.

Kelly também integrou projetos importantes como Divas do Hip Hop, fortalecendo a presença feminina na cena, e atua constantemente em eventos culturais da periferia.

Suas letras abordam temas como empoderamento feminino, autoestima, racismo, desigualdade social e a realidade das periferias, contribuindo para a construção de uma narrativa potente dentro do hip hop. Ao longo de sua trajetória, também ajudou a quebrar paradigmas dentro da cena, trazendo identidade própria e autenticidade para o palco.

Entre o preconceito e a resistência – uma demonstração de força e coragem

Crédito: Divulgação / Assessoria de imprensa

A caminhada dentro hip-hop não foi simples.

Além das dificuldades sociais, Kelly também enfrentou resistência dentro da própria cena por fugir dos padrões impostos às mulheres do rap daquela época.

“Eu precisava usar as roupas enormes do meu irmão pra me sentir aceita. Ser muito feminina não ‘representava o rap’. A primeira vez que subi no palco de salto alto ouvi: ‘Quer representar a favela? Então desce do salto.”

Mesmo diante dos julgamentos, ela permaneceu firme.

Hoje, sua identidade artística se tornou justamente aquilo que um dia tentaram apagar: feminilidade, autenticidade e verdade.

“Minha arte nasce da vivência” – Um compromisso real com a cultura

Para Kelly Neriah, música nunca foi apenas entretenimento.

“A música sempre foi abrigo. Minha arte nasce da observação da vida e das marcas que ela deixa.”

Suas composições abordam autoestima, racismo, desigualdade, maternidade, sobrevivência e amor-próprio – temas que atravessam sua própria história.

“A minha essência é verdade. Tudo que eu levo pro palco carrega minhas dores, minhas conquistas e minha visão de mundo”.

O protagonismo feminino dentro da cultura

Ao falar sobre o crescimento das mulheres no hip-hop, Kelly demonstra emoção e consciência sobre o momento atual da cultura.

“É emocionante ver tantas mulheres ocupando espaços que antes pareciam inalcançáveis. Estamos escrevendo uma nova história.”

Mesmo reconhecendo avanços, ela reforça que os desafios ainda existem, principalmente quando o assunto é respeito e validação feminina dentro da cena.

Mas deixa um recado direto para as novas gerações:

“Não esperem autorização para existir. Sua voz importa. Sua história importa.”

“Matriarcas do Hip Hop” e o peso do legado de várias gerações

Em 2026, Kelly integrou o espetáculo Matriarcas do Hip Hop – 4 Gerações, projeto que reuniu mulheres fundamentais da cultura de quatro gerações, com grandes nomes como Sharylaine, Rubia RPW, DJ Quettry, Lady Rap, Lunna Rabetti, Jô Maloupas, Chai Odisseiana, Afrolety, Tucáelis, Bgirl Miwa, Lu AfroBreak, Riska e Tasha & Tracie.

Acesse o instagram do sesc pompéia sobre o show das Matriarcas do Hip Hop: https://www.instagram.com/p/DWjLz7lCkOu/?img_index=7

Para ela, a experiência marcou profundamente sua trajetória.

“Representa ancestralidade, continuidade e respeito à história de quem veio antes.”

A artista define aquele momento como um dos mais inesquecíveis da carreira.

“Ver gerações diferentes dividindo palco e propósito mexeu profundamente comigo.”

“O Que Fazer?” e os novos caminhos

Expandindo ainda mais sua caminhada artística, Kelly lançou o videoclipe da música “O Que Fazer?”, em parceria com Kaion, integrante do grupo Expressão Ativa.

A faixa aborda independência emocional, amadurecimento e as novas prioridades femininas dentro das relações.

“Hoje muitas mulheres não colocam mais relacionamento como prioridade. Primeiro elas querem estar bem consigo mesmas.”

Sobre a parceria, ela resume:

“Kaion é monstro.”

Música como transformação – a voz de quem é silenciado

Kelly acredita no hip-hop como ferramenta de mudança social, acolhimento e resistência.

“O hip-hop continua sendo voz de quem historicamente foi silenciado.”

Mesmo conciliando arte com a rotina CLT, ela segue produzindo música, audiovisual e fortalecendo seus projetos culturais.

E quando perguntada sobre o legado que deseja deixar, responde sem hesitar:

“Quero deixar coragem”

Resistência como identidade – da dor nasce o desafio

Ao resumir sua trajetória em apenas uma frase, Kelly Neriah traduz tudo aquilo que sua caminhada representa:

“Da dor nasceu minha força, e da minha voz nasceu meu propósito.”

Talvez seja exatamente isso que faça sua arte ecoar de forma tão verdadeira.

Porque algumas vozes não nascem apenas para cantar.

Nascem para permanecer.

Construindo um legado real de vivência para o hip hop

Com uma caminhada sólida e construída na vivência, Kelly Neriah segue expandindo sua presença artística e reafirmando seu papel dentro da cultura hip hop.

Em um cenário onde autenticidade é cada vez mais rara, sua trajetória se destaca justamente por manter a essência intacta: verdade, resistência e compromisso com a arte.

Kelly Neriah é uma cantora versátil e talentosa que leva a música com seriedade, amor e compromisso, vale a pena conferir seu trabalho.

Acompanhe a artista nas redes sociais:

Instagram: https://www.instagram.com/kelly_neriah

Contato profissional:

e-mail: kellyneriah@gmail.com


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