O pianista e cantor Nat King Cole |Reprodução: Bettman Corbis/VMI | Arte: E. Santos

Em meados da década de 1990, foi ouvindo rádio que tive o primeiro contato com a música de Nat King Cole, uma regravação do clássico “Unforgettable”, graças ao avanço tecnológico pude apreciar o dueto mixado entre pai e filha, a cantora Natalie Cole, que estreou como cantora aos 11 anos num musical ao lado do pai.

Detentor de um estilo único, elegante e sofisticado, o músico é considerado uma das principais referências do jazz na história, seja como cantor ou pianista.

Nascido em Montgomery no estado do Alabama, aos 4 anos de idade mudou-se para Chicago, onde frequentava a igreja Batista local, em que seu pai era pastor, um ex-açougueiro que realizou o sonho de pastorear uma comunidade de fé, levando sua esposa e seus filhos para os cultos que ministrava.

Nathaniel Adams Coles, nome civil de Nat teve suas primeiras experiências musicais com a sua mãe, regente do coral da igreja em que eles frequentavam.

Suas primeiras aulas de piano foram com a mãe do futuro baixista Milt Hinton, aos 12 anos. Influenciado pelo pianista Earl “Fatha” Hines, parceiro musical de Louis Armstrong.

Aos dezesseis anos, se tornou pianista do quinteto “Solid Swingers”, liderado pelo seu irmão mais velho Eddie Coles.

Em 1937, durante uma turnê do musical “Shuffle Along”, participando da banda que acompanhava o espetáculo, juntamente com Eddie, se apaixonou pela bailarina Nadine Robinson. No meio da turnê, antes mesmo de completar 18 anos, casaram-se em Michigan.

No ano seguinte já se apresentava no Century Club em Los Angeles, juntamente com os músicos Oscar Moore, guitarrista e o baixista Wesley Price, formação inusitada, visto que o baterista faltou na primeira apresentação e os músicos tiveram que tocar em trio.

Foi nesse Club que o proprietário Bob Lewis, apelidou Nat de “King Cole” — O Rei Cole, sugerindo que ele usasse uma coroa feita de papel nas apresentações. Assim acabou ajudando a batizar a banda de King Cole Trio, o público curtiu tanto que decidiram seguir com essa formação.

Seu primeiro contrato assinado aconteceu em 1943, com a gravadora Capitol Records, onde lançaram clássicos como “Straighten Up and Fly Right” que rapidamente se tornou um hit nacional, tocando em várias rádios da época. Ironicamente o sucesso da música não rendeu nada para Nat, pois vendeu os direitos da música por apenas 50 dólares anos antes.

“Minha voz não é algo do que eu possa me orgulhar”

Nat King Cole, em entrevista ao jornal The Saturday Evening Post, 1954

Foi durante a década de 40 que mesmo resistindo aos convites para se tornar o cantor do trio, acabou cedendo. Nat não curtia sua voz, rouca e com pouca extensão vocal, porém, as pessoas se admiravam pela sua interpretação que vinha das referências do gospel e do blues, gêneros que moldaram o artista.

Segundo a biógrafa Leslie Gourse, relata que a mudança de Nat do jazz para a música pop, se deu por influência de sua segunda esposa, Maria Ellington, que iniciaram relacionamento justamente no ano em que gravou “The Christmas Song”, sua opinião foi decisiva para que a canção fosse gravada com naipe de cordas e orquestra, abandonando a ideia do trio de jazz.

Outras gravações posteriores foram moldando a transformação musical de Nat King Cole para uma vertente mais pop, como “Mona Lisa” (1949) e “Unforgettable” (1951), culminado na dissolução do King Cole Trio na sequência.

Ouça Nat King Cole

Durante sua carreira, enfrentou diversos tipos de preconceitos. Em 1956, estreou um programa as segundas-feiras a noite no canal NBC, onde recebia convidados como Ella Fitzgerald, Harry Belafonte e Bing Crosby, apesar da grande audiência não conseguia patrocínio e após 1 ano o programa foi cancelado.

Os shows do músico também eram parte desse enfrentamento com o preconceito. Por exemplo, quando fazia shows no Texas, por conta da segregação racial, a platéia era dividida, de um lado os brancos e do outro os negros, já em Birminghan, era obrigado a fazer 2 shows, um para os brancos e outro somente para os negros, foi em um desses shows em Birminghan que o artista foi agredido no palco.

“Naquela noite em Birminghan, descobri que nenhum dos dois lados pensava como eu. Foi uma descoberta dolorosa.”

Nat King Cole, reflexão após ser agredido durante show no Alabama, em 1956

Fumante compulsivo, tragava 3 maços de cigarros por dia. Além da rouquidão na voz, o vício fez com que o músico morresse prematuramente aos 45 anos, vítima de um câncer no pulmão, em 15 de fevereiro de 1965.

Mesmo partindo tão jovem, o cantor e pianista ficou marcado como um dos principais nomes da música negra mundial, indo do jazz ao pop, deixando um legado memorável aos amantes da música.

Fonte de pesquisa
Nat King Cole, de Carlos Calado — Coleção Folha: clássicos do jazz, v. 1. Rio de Janeiro: MEDIAfashion, 2007. Publicação acompanhada de CD.

Pesquisa e redação: Sala Secreta News

Revisão de texto: Cortecertu


Descubra mais sobre SALA SECRETA NEWS

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Deixe um comentário

Trending

Descubra mais sobre SALA SECRETA NEWS

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo

Descubra mais sobre SALA SECRETA NEWS

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo