
Um fenômeno da Dance Music nos anos de 1990, escondia uma história sobre voz, imagem e bastidores da indústria musical
Por Elias Santos | Sala Secreta News
Antes de iniciar minha história no Hip-Hop, assim que comecei a sair para as festas na adolescência, conheci uma galera que curtia dançar em passos marcados e eram chamados de “Poperô”, eu não imaginava que o termo era uma maneira popular de identificar uma música específica e que se tornaria um apelido para quem curtia dance music.
A faixa “Pump Up the Jam”, do Technotronic produzida por Jo Bogaert, me trouxe essa recordação e por esse motivo pesquisei um pouco sobre a música e me deparei com uma curiosidade que eu particularmente não sabia.
Lançada em 1989, a faixa rapidamente atravessou fronteiras e se tornou um dos grandes sucessos da música eletrônica. Por aqui, no Brasil ganhou força depois que apareceu em um comercial da marca Philips e chegou a ser a nona música mais ouvida no país em 1990, segundo levantamento feito pelo UOL.
Por trás dos vocais estava Manuela Kamosi, conhecida artisticamente como Ya Kid K, nascida em Kinshasa, então Zaire (atualmente Congo), mudou-se ainda jovem para a Bélgica e teve contato com diferentes vertentes musicais.
Durante a adolescência viveu também nos Estados Unidos, onde teve contato com o Hip-Hop e a House Music em Chicago.
Neste contexto, conheceu o produtor e criador do Technotronic Jo Bogaert com apenas 17 anos, quando participou da criação de Pump Up the Jam, escrevendo e colocando voz na música.
Mas, quando a música ganhou as ruas a imagem na capa do disco e no videoclipe aparecia Felly Kilingi, modelo congolesa escolhida para representar visualmente o projeto.
Em entrevista ao Los Angeles Times, Jo Bogaert admitiu que Felly havia sido escolhida para promover o grupo e construir sua imagem. Segundo o produtor, a música era resultado do trabalho dele, de Ya Kid K e do rapper MC Eric.
Anos depois, Ya Kid K, contou que por ser muito nova não entendia muito bem sobre contratos e direitos artísticos, por esse motivo só descobriu depois que Felly havia sido colocada na capa e no clipe.
Enquanto isso no Brasil, a música ajudou a consolidar o termo “poperô”, uma adaptação brasileira de um trecho da própria música que acabou virando uma espécie de apelido para uma geração inteira.
Outros artistas representaram esse período como Snap!, Black Box, Corona, Culture Beat, Double You, Ice MC e tantos outros artistas passaram a fazer parte desse imaginário da cultura dance music mundial.
Atualmente Jo Bogaert (Thomas De Quincey), possui uma vida mais reservada após o encerramento das atividades do projeto e Ya Kid K (Manuela Kamosi), seguiu carreira solo em apresentações nos Estados Unidos e Europa. E, segundo relatos a modelo Felly Kilingi se afastou dos holofotes após a fase áurea do Technotronic.
O mais interessante dessa história é conhecermos os detalhes e curiosidades que acontecem por de trás dos holofotes da música, fazendo com que nossa memória volte ao passado e nos traga boas lembranças.
Nota editorial: A imagem de capa desta matéria é uma composição artística produzida pelo Sala Secreta News com auxílio de ferramenta de inteligência artificial. Os elementos visuais utilizados como referência foram encontrados em materiais disponíveis na internet. A arte tem finalidade exclusivamente editorial e ilustrativa.
Fontes
- UOL
- Los Angeles Times






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