
O início da caminhada e a formação de sua identidade
Com mais de três décadas dedicadas ao hip-hop e sendo uma fígura respeitada na cena do rap nacional, Betão Pesadão construiu sua caminhada ao longo de décadas, atravessando diferentes fases do hip-hop brasileiro e mantendo uma postura firme dentro da cultura.
No fim da década de 80, José Roberto Nascimento Silva, oriundo da zona sul de São Paulo, teve seu primeiro contato com o rap através das músicas “Rap da Abolição” dos Metralhas e o “Melô da Lagartixa” de Ndee Naldinho, período onde surgiram os primeiros artistas de hip-hop na cena.
A novidade chamou atenção de Betão que logo se identificou com o rap e assim se aprofundou para conhecer melhor a cultura hip-hop, récem chegada ao Brasil.
“O rap cruzou minha vida em 1988, com o Rap da Abolição e (Melô) Lagartixa, do Ndee Naldinho e dos Metralhas. Foi uma música que me encantou e tal, e eu ficava cantando e até meu pai ficava me zoando, – Pô, filho que música é essa?” – Betão Pesadão
Primeiros passos no rap e as principais influências
Sua trajetória como artista se inicia em 1992, integrando o grupo CDR, onde deu os primeiros passos na música. Em um período marcado pela efervescência do rap nacional, Betão já demonstrava sua identidade lírica e compromisso com a realidade das ruas.
Suas principais influências neste período são Racionais MC’s, Sistema Negro, Thaide e DJ Hum, DMN, Comando DMC, Pavilhão 9, MRN, entre outros artistas dos anos dourados do rap nacional.
Comando DMC: grupo clássico do rap nacional
Pouco tempo depois, em 1996, o destino o levou a fazer parte do Comando DMC, grupo clássico do rap nacional, assumindo posição após a saída de Turbo e Grand Master Duda, integrantes da primeira formação do grupo juntamente com Eazy Jay, líder do grupo.
Permaneceu no grupo até meados de 2002, consolidando sua experiência e ampliando sua presença na cena, participando de turnês pelo Brasil inteiro com a banda.
Gilmar (Alvos da Lei) – o adeus ao amigo e a paralisação na carreira
Betão tinha uma grande amizade com o grupo Alvos da Lei, parceiros de caminhada e um dos integrantes era bem próximo a ele, o rapper Gilmar que foi assassinado em 2002, fato esse que gerou grande tristeza e indignação no rapper, fazendo ele quase desistir da carreira no hip-hop.
Neste período ficou quatro anos longe dos palcos e praticamente tinha desistido de continuar fazendo rap, porém, em 2006 decidiu voltar a cena com novos projetos.
Betão deixou um depoimento marcante sobre esse período que enfrentou após a morte de seu amigo Gilmar e os impactos que teve em sua trajetória.
“Em 2002, nós tivemos a perda do Gilmar do Alvos da Lei, fiquei quatro anos sem cantar, de 2002 até 2006, mas eu me tornei um cara frustrado. Ia só do trampo pra casa, da casa pro trampo, saia de casa as quatro horas pra trampar e voltava meia noite.” – Betão Pesadão
Q.I. Racional: reconhecimento na cena e espaço no rap
Nos anos seguintes, após um hiato fora da cena do rap e buscando mais autonomia em seu trabalho, formou o grupo Q.I. Racional com o rapper Drizi, lançando em 2008 o álbum “Melhor só do que mal acompanhado”.
O trabalho ganhou destaque ao ter sua faixa-título, inserida na programação da Rádio 105 FM, no programa Espaço Rap, um feito relevante dentro do circuito do rap independente, além de receber elogios da critica especializada realizando diversas apresentações na capital, baixada e interior de São Paulo.
Brigada Sul: construindo uma nova história e deixando um legado
Em 2010, Betão Pesadão deu início a um novo capítulo em sua carreira ao fundar o grupo Brigada Sul.
O projeto nasceu com o lançamento de uma coletânea homônima, reunindo artistas e fortalecendo a identidade do coletivo dentro da cena da zona sul paulistana.
Principais shows, eventos e projetos – expandindo caminhos
Participou de eventos como, “Festival 100% favela”, “Tributo ao Sabotage” e o projeto “Do Cárcere ao Rap”, entre 2023 e 2024, apresentado na Casa de Cultura Hip Hop Sul, destacando a trajetória do grupo e a participação do grupo Comunidade Carcerária, grupo formado na Casa de Detenção de São Paulo (Carandirú), propondo reflexões sobre vivências de privação de liberdade, além de participações em mídias comunitárias, como a rádio “Onda FM” e o programa “Bola Véia”, reforçando a presença do rap local.
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Atualmente, o Brigada Sul é formado por:
- Betão Pesadão (letra e voz)
- Thiago Conspiração (letra e voz)
- Cleiton EDR (letra e voz)
- DJ Claudia Verneck (toca-discos)
Novo álbum: Danger
O grupo segue em atividade e prepara o álbum “Danger”, ainda sem data oficial de lançamento, mas já cercado de expectativa por parte do público que acompanha o trabalho do coletivo. Alguns singles que farão parte do álbum já circulam no repertório de shows do grupo, mas os detalhes não foram divulgados até o momento.
Conexão com o Sala Secreta – parceria e iniciativas
A trajetória de Betão também se cruza com iniciativas independentes de fortalecimento da cultura hip-hop. Um pouco antes da pandemia do Coronavírus em 2019, Sala Secreta e Brigada Sul fecharam uma collab em suas coleções de roupas e acessórios streetwear, voltados para a moda urbana periférica.
Neste período a parceria entre as marcas resultou em uma loja física que durou até a pandemia, fechando por conta do lockdown e as restrições que ocorreram a época.
Projeto Vivos e Vivos Vozes – fortalecimento da cultura hip-hop
Mas em 2022, um desfile marcou a parceria novamente durante a execução do Projeto Vivos produzido pelo Sala Secreta, iniciativa voltada a valorização de artistas independentes, em que Betão participou também como artista cantando duas músicas, “Meu Sofrimento” e “Uma Nova Chance“, essa última produzida por Dudu Nascimento que também fez o refrão, um relato memorável de Betão após ter vencido a Covid-19, se recuperando após ser internado em uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva).
👉 Assista a performance de Betão no Projeto Vivos com a música “Uma Nova Chance”
Já em 2024, concedeu entrevista ao Programa Vivos Vozes, onde compartilhou experiências, reflexões e sua visão sobre o rap e a caminhada dentro da cultura, fortalecendo ainda mais suas impressões e opinião sobre os assuntos que norteiam nossa cultura.
👉 Confira a entrevista completa
Uma trajetória construída na vivência – três décadas de dedicação e respeito
Com mais de três décadas de atuação, Betão Pesadão representa uma geração que ajudou a construir o rap nacional a partir da base – sem atalhos, sem fórmulas prontas, e com forte conexão com a realidade das ruas, seu estilo é voltado para o Gangsta Rap, vertente do rap comum da Costa Oeste norte-americana.
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Sua história passa por diferentes formações, projetos e fases, mas mantém um elemento central: o compromisso com a verdade nas letras e com a essência do hip-hop.
Neste contexto, Betão também atua como DJ atualmente, apresentando o Projeto Music For Lover, aonde toca músicas românticas, pesquisa de músicas das décadas de 60, 70, 80 e 90. Impactando um público com perfil de bailes black’s que marcaram época em nossa cultura.
Apesar de pouca presença nas plataformas digitais, Betão Pesadão e o Brigada Sul, mantém forte presença na periferia, seja em shows e eventos como em projetos sociais, segundo o próprio artista, diz que acredita muito na presença ativa e presencial de sua arte, mas ressalta a importância de aumentar a atuação artística também nos meios digitais e na internet, gerando uma conexão com o público mais jovem.
Ouça Brigada Sul e Betão Pesadão, músicas que falam de conscientização, problemas sociais, violência urbana e a realidade do cotidiano.
Siga o grupo Brigada Sul nas redes sociais: https://www.instagram.com/brigada_sul/
Contato para shows e eventos:
e-mail: brigadasul@gmail.com
Telefone: 55 11 99191-6314





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