USO DE DROGAS AUMENTA DURANTE A PANDEMIA

O abuso de drogas entorpecentes e o uso nocivo do álcool tem aumentando durante a pandemia de Covid-19, causando efeitos devastadores aos usuários e familiares, além de contribuir para o disparo da violência doméstica no período

Os efeitos da pandemia do novo Coronavírus repercutem em todos os ambientes da sociedade, inclusive naqueles que muitas vezes não ganham evidência na grande mídia ou não têm espaço nas discussões familiares: as consequências pessoais e sociais em decorrência do abuso de drogas entorpecentes e o uso do álcool, especialmente nos moradores das periferias do Brasil.

Quando definiu os “17 Objetivos para Transformar nosso Mundo”, A Organização das Nações Unidas (ONU), considerou essencial “assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar, em todas as idades”, declarando a importância de “reforçar a prevenção e o tratamento do abuso de substâncias, incluindo o abuso de drogas entorpecentes e uso nocivo do álcool”. Com relação ao álcool, sabemos que o uso contínuo dessa substância durante o isolamento social compromete a imunidade das pessoas contra a infecção do novo Coronavírus, por isso, a recomendação de diminuição ou até mesmo o não consumo do álcool durante este período.

No Brasil, não há lei específica para o controle de vendas de álcool durante uma pandemia, exceto o fechamento de bares e restaurantes | Foto: ‘Eu Sem Fronteiras’ – Reprodução

O uso excessivo do álcool e de outras substâncias, podem causar intoxicação física e mental, além de desencadear comportamentos de riscos as pessoas que consomem, como o descuido em sua própria proteção como também na higiene pessoal do indivíduo. Outro risco de comportamento é a agressividade que algumas pessoas têm ao ingerir bebidas alcoólicas ou consumir drogas ilícitas, trazendo consequências individuais e coletivas.

A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é de que os países controlem as vendas de bebidas alcoólicas durante a pandemia. O fechamento de fronteiras e outras restrições relacionadas à pandemia, já causaram escassez de drogas nas ruas, levando ao aumento de preços e à redução da pureza dos ilícitos, segundo relatório do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC).

No Brasil não há lei específica para o controle de vendas de álcool durante uma pandemia, exceto o fechamento de bares e restaurantes. No entanto, a compra de bebidas em supermercados seguem sem nenhum tipo de controle ou restrição contribuindo para os casos de abuso da substância.

Em vários países, foram adotadas medidas tanto no controle quanto na restrição de venda de bebidas alcoólicas nos supermercados. Nos Estados Unidos, enquanto algumas cidades proibiram as vendas de bebidas pela internet; na África do Sul, a seção de bebidas nos supermercados foram fechadas.

Grande influenciador no consumo da população, a publicidade têm negligenciado sua responsabilidade social. Um exemplo são as lives de artistas brasileiros, patrocinadas por grandes marcas de cervejas e bebidas alcoólicas. Recentemente o Conselho Nacional de Autorregulação Publicitária (Conar), notificou a Ambev, por “potencial estímulo de uso irresponsável de álcool” em live realizada pelo cantor Gustavo Lima.

Segundo alguns psiquiatras e pesquisadores, o aumento de consumo de drogas, bebidas e cigarros aumentaram devido as pessoas acharem que a pandemia é uma situação anômala e que para diminuir o mal-estar recorrem a coisas que lhe darão prazer e satisfação, mesmo que momentânea.

Outra situação a ser analisada é o isolamento social de pessoas que moram sozinhas e que, na ausência de uma vida social ativa, acabam recorrendo a esse tipo de “passatempo”. Especialistas dizem que uma pergunta sempre tem de ser feita para quem recorre a esse tipo de saída: O uso será para aliviar tensões ou buscar relaxamento?

Essa pergunta pode ser respondida de maneira que o adicto entenda que ele tem outras saídas para aliviar a tensão e relaxar que não seja o uso de substâncias prejudiciais a sua saúde. Mais do que nunca, a procura por ajuda profissional, de amigos e familiares são fundamentais. Instituições que tratam pacientes adictos, como o Alcoólicos Anônimos (AA), prosseguem com reuniões virtuais para não brecar o processo de terapia.

Segundo a ONU, mais de 35 milhões de pessoas sofrem de transtornos associados ao uso de drogas, gerando consequências dramáticas as famílias e sociedade.

Outro vilão é o cigarro, que teve um aumento substancial no seu consumo durante a pandemia. Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz, realizado em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais e a Universidade Estadual de Campinas, apontou que 34,3% dos entrevistados que se declararam fumantes passaram a consumir mais cigarros por dia durante a pandemia, enquanto 22,8% pessoas aumentaram em dez; 6,4% em até cinco e 5,1% em 20 ou mais cigarros. Segundo a pesquisa, o aumento no consumo estão associados ao stress, incertezas quanto ao futuro e a falta de perspectivas gerados pelas consequências trazidas pela pandemia, seja na vida financeira ou na vida social do indivíduo.

O disparo na violência doméstica durante a pandemia, tem no uso de substâncias ilícitas e uso de álcool por parte do agressor é dos seus maiores influenciadores. Infelizmente muitas mulheres não denunciam as agressões por medo, por envolvimento emocional e até mesmo por dificuldade por exemplo de identificar uma agressão verbal, que não deixa de ser uma agressão.

Caso presencie ou esteja sofrendo agressão verbal ou física, não se cale: ligue 180 e denuncie!

LEIA MAIS: SALVE QUEBRADA: APOIO JURÍDICO GRATUITO AS VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E DE GÊNERO

PROCURA POR AULAS DE DEFESA PESSOAL PARA MULHERES AUMENTAM DURANTE A QUARENTENA

LGBTIs VIVEM ACIRRAMENTO DE VIOLÊNCIA FAMILIAR EM ISOLAMENTO SOCIAL

Muitas famílias vivem esse pesadelo, principalmente famílias pobres e que, muitas vezes, não têm apoio do estado para conseguir tratamentos dignos e acompanhamento sobre essas questões. No Brasil, as políticas públicas quanto a esses fatores ainda estão muito atrasadas e muitas vezes são ineficazes.

A informação, conscientização e o apoio de amigos e familiares para tratar da dependência química, seja lícita ou não, são fundamentais para que haja não só um entendimento maior sobre o assunto, mas, principalmente um meio eficiente de libertar e restaurar a saúde e bem-estar dos dependentes e de toda sociedade.

Acompanhe as nossas publicações no site e redes sociais. Contamos com o seu apoio, compartilhe os nossos conteúdos ou contribua conosco para continuarmos gerando conteúdos para vocês no Apoia.se! Caso  não possa nos  apoiar mensalmente, você pode contribuir com qualquer valor efetuando um depósito para o Sala Secreta 3S no Banco do Brasil  | Agência: 6966-3  | Conta Corrente: 21.127-3 | CNPJ: 36.126.051/0001-01 

Nosso Muito Obrigado, equipe Sala Secreta!
Para mais informações, envie  email para:  imprensa@salasecreta3s.com

Leia também:

PANDEMIA REVELA DESIGUALDADES RACIAIS, DIZ ESTUDO

Acesso a direitos básicos como saúde, saneamento e trabalho tornou a população negra e periférica mais vulnerável à pandemia…Leia Mais

#LIVE MEIO AMBIENTE FÓRUM DE CULTURA CIDADE ADEMAR E PEDREIRA

Transmissão acontece nesta terça-feira (20/10), às 18H30, na página do Facebook @CadeaCasadeCulturadeCidadeAdemar…Leia Mais

#ELEIÇÕES 2020: FERRAMENTA PERMITE CONSULTA DE CANDIDATURAS

Sistema do TSE pode ser consultado por qualquer cidadão em busca de informações sobre a situação dos candidatos…Leia Mais

Deixe sua resposta aqui