SP 466 ANOS: “ANTES RIOS, HOJE AVENIDAS”

Em meados de 1554, padres jesuítas desembarcaram em Santos e subiram a Serra. Escolhido pelos jesuítas como base para seus trabalhos de catequese dos índios locais, o Pateo do Collegio marca a fundação de São Paulo.

O Brasil já era povoado há 10 mil anos por indígenas que vieram de várias rotas, mas a principal delas segundo os historiadores é a rota do “Estreito de Bering”.

Mas hoje iremos falar sobre o surgimento da cidade de São Paulo. Em meados de 1554, século XVI vários padres jesuítas desembarcaram em Santos e subiram a Serra, se estabelecendo numa área que abrigava duas tribos indígenas na época no alto de uma colina, entre o Rio Piratininga que significa “Rio do Peixe Seco”, que mais tarde viria se chamar Rio Tamanduateí e o Ribeirão Anhangabaú, formando ali a Vila São Paulo de Piratininga. Escolhido pelos jesuítas como base para seus trabalhos de catequese dos índios locais, o Pateo do Collegio marca a fundação de São Paulo.

O Rio Piratininga ou Tamanduateí, se situava onde hoje passa um canal com paredes verticais ao lado do “Mercado Municipal”. Durante quase 100 anos a Vila São Paulo, tinha apenas três ruas: Rua Direita, Rua São Bento e Rua do Rosário (atual XV de Novembro). Nessas ruas eram centralizados os comércios da região, e o produto  mais comercializado na época, o trigo. Segundo a historiadora “Antônia Terra”, as casas eram todas baixas e construídas de taipas.

Cinco trilhas indígenas foram usadas pelos “Bandeirantes”, que tinham dois grandes propósitos: escravizar índios e saquear as riquezas das terras, como por exemplo, o “ouro”.

Essas trilhas deram origens as principais  vias que conhecemos hoje,  Rodovia Fernão Dias, Via Anchieta, Via Dutra (antiga BR3), Rodovia Régis Bittencourt e a outra trilha que levava para o Peru.

Nas proximidades do que hoje é a Rua 25 de Março existia um Porto, por esse motivo temos ali a “Ladeira do Porto Geral”, que beirava o Rio Tamanduateí. No entorno do  Porto, nascia um dos maiores centros do comércio popular do país.


A modernização da cidade começou com a inauguração da primeira ferrovia, chamada “São Paulo Railway” que usava o Rio Tamanduateí como rota ligando toda a região ao mar. Com isso,  São Paulo começou a comercializar outros produtos, abrindo rotas de modernização.


O café foi um dos pilares desse crescimento econômico e urbano da cidade, pois a elite cafeeira para facilitar seus negócios começaram a se estabelecer na região. A construção do “Viaduto do Chá”, com metais importados da Alemanha, foi um dos motivos dessa grande mudança ligando o centro velho aos bairros recém constituídos pelas elites, dentre eles os bairros de “Higienópolis” e “Campos Elíseos”.

Com o auge da indústria cafeeira e a pressão internacional para o Brasil abolir a escravidão, e o governo passou a intensificar a imigração de europeus para o trabalho, mais precisamente italianos. Em 1888, precisamente no dia 13 de maio, a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea, dando “fim a escravidão” no país.

Pobres ou ricos, italianos vinham para o Brasil em busca de dias melhores, visto que a Itália passara por uma grande recessão. Um dos exemplos mais notório,  é o da família “Matarazzo” que criaram seu império na cidade. Os italianos foram se estabelecendo em bairros como o Bom Retiro, Bixiga e Mooca.

Seguindo as principais correntes imigratórias na cidade, os japoneses se estabeleceram na região da Liberdade, que segundo historiadores  até então era povoado por negros.


Voltando aos rios, São Paulo tomou uma decisão drástica no passado que culminou em grandes alagamentos e deslizamentos de terra pela cidade. O Engenheiro “Francisco Saturnino de Brito”, que na década de 20 era Presidente de Melhoramentos do Rio Tietê, propunha um resgate da orla fluvial urbana da futura metrópole garantindo a várzea do Rio, mas foi combatido pelo seu xará, o também Francisco Prestes Maia que tinha uma visão diferente que se alinhava com a elite paulistana de que a construção de avenidas e estradas resolveria a questão de modernização e crescimento da cidade. Ele defendia um projeto chamado “Radial Concêntrico” e defendeu essa tese em seu “Plano de Avenidas para a cidade de São Paulo”. Sua justificativa era que esse método foi adotado por grandes cidades como Paris, Viena, Moscou e Lyon, porém esqueceu de mencionar que essas cidades já tinham planos hidroviários e ferroviários já executados.

Prestes Maia, foi prefeito de São Paulo de 1938 a 1945 e deu início às suas ideias de expansão da cidade por meio de avenidas, tais como o Viaduto 9 de Julho, Avenida 23 de Maio, construída em cima do Vale do Itororó e a Avenida 9 de Julho, construída em cima do Vale da Sacura.

Sua ideia é de seus parceiros é que São Paulo fosse a “Nova Chicago” com arranha céus, automóveis, viadutos e avenidas por todos os lados.

Aos poucos a cidade que outrora era cortada por águas se tornou em espaços de carros, com esse urbanismo rodoviário.

Outra data importante de se lembrar foi 07 de setembro de 1822, quando as margens do Riacho Ipiranga Dom Pedro I fez seu discurso sobre a Proclamação da República, trazendo os holofotes nacionais e internacionais para a cidade de São Paulo.

Para conhecer visualmente a história de São Paulo, pesquise sobre o fotógrafo “Militão Augusto de Azevedo”, ele retratou através de suas câmeras a transição da cidade de São Paulo na era monárquica para a era republicana.

Outros pontos importantíssimos que podem contar a história de São Paulo com louvor é o Teatro Municipal, Museu Paulista, Estação da Luz, entre outros.

Na década de 20 com as inaugurações do Masp, USP, ampliação do Parque Industrial e a criação da primeira televisão brasileira, a cidade passou a exercer grande influência no progresso e na expansão servindo como referência para outras cidades do país.

A “Semana da Arte Moderna” realizada em 1922 deu status para a cidade ganhando respeito e notoriedade internacional para nossa arte e nossa cultura, bem como reconhecimento para nossos artistas.

Na década de 30 se iniciou o processo se verticalização da cidade e neste processo ganhamos o primeiro prédio da cidade o “Edifício Martinelli”. Em 1932 às forças militares paulistas entraram em conflito com as tropas racionais e foram derrotadas, mas a causa do conflito foi anunciada no ano seguinte pelo governo brasileiro para a convocação de eleições constitucionais.

Com o crescimento econômico e a expansão natural surgiram nos entornos as cidades operárias chamadas de grande ABCD (Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul e Diadema).

São Paulo é a cidade mais populosa da América Latina com quase 12 milhões de pessoas. Apesar de nossa espinha dorsal serem os rios que cortam a cidade como o Rio Tietê e o Rio Pinheiros ou como no início da nossa história o Rio Tamanduateí e o Ribeirão Anhangabaú, estamos imersos a um urbanismo rodoviário onde o automóvel ainda é o transporte que no imaginário do paulistano é o mais seguro e o mais confortável. Precisamos repensar e refletir sobre nossa locomoção dentro da cidade.

Atualmente temos várias opções que são super interessantes e nos ajudam muito como as bikes, os patinete, motos, trens e metrôs. O ônibus fica de fora da sua lista pois a muita coisa a se melhorar e táxis e outros motoristas de aplicativos também podem ser uma boa opção mas se os usuários forem utilizar em corridas com grupos de pessoas, a trabalho ou voltar de uma balada após ter ingerido álcool.

Enfim, a cidade da garoa está completando 466 anos e se tornou gente grande. Megalópole, com uma economia diversificada e poderosa, São Paulo conta vários lugares a serem visitados como parques, museus, teatros, praças, monumentos e muito mais.
Cultura e arte urbana cheia de riquezas, vários centros comerciais espalhados por toda a cidade, são alguns dos atrativos da “São Paulo” Cosmopolita, que antes era cortada por rios e hoje é cortada por avenidas. 

Foto: Divulgação| Banco de Imagem do Estado SP

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