#SETEMBRO AMARELO: CONSCIENTIZAÇÃO E PREVENÇÃO AO SUICÍDIO

Campanha Setembro Amarelo ou Yellow Ribbon, um movimento mundial contra o suicídio. No Brasil, a taxa de suicídio é alarmante, e sua ocorrência tem aumentado principalmente entre os jovens.

Anualmente é realizado aqui no Brasil o Setembro Amarelo, uma campanha de prevenção ao suicídio, que teve início em 2015 através da CVV (Centro de Valorização da Vida), do Conselho Federal de Medicina e da Associação Brasileira de Psiquiatria.

Durante todo o mês de Setembro costuma-se iluminar alguns pontos públicos e turísticos em todo país, entre eles o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro e o Congresso Nacional, em Brasília.

 OMS revela dados, ainda mais preocupantes: A cada 100 mil habitantes, a taxa de suicídio aumentou 7% aqui no Brasil, ainda que no índice mundial, essa taxa tenha caído 9,8%.

No Brasil, o suicídio é considerado um problema de saúde pública, e sua ocorrência tem aumentado principalmente entre os jovens. De acordo com números oficiais, em média 32 brasileiros se suicidam por dia, taxa que acaba sendo maior do que as vítimas de AIDS e na maioria dos tipos de câncer.

Apesar de ser um tabu para muitas pessoas e do preconceito que envolve o assunto, cada vez mais se faz necessário debatermos sobre esse mal. Conforme explica a Dra. Aline Machado Oliveira, Psiquiatra e Psicoterapeuta Junguiana, o o suicídio é a manifestação suprema das dores da alma. “Quem se suicida não quer morrer, e sim acabar com a dor. Os motivos para o suicídio são tão variados quanto são as causas para o sofrimento humano, e o que não é motivo para o sofrimento de um, pode ser motivo suficiente para outro”.

Buscar uma compreensão mais profunda sobre a morte e sobre nós mesmos, nossos conflitos, pode nos ajudar a ampliar nossa visão de quem somos e do mundo que nos cerca, destaca a especialista. “Como psicoterapeuta junguiana penso que o desejo pela morte deve ser visto de maneira simbólica, e é preciso que o psicoterapeuta ajude o paciente a transformar o desejo pela morte do corpo, em uma morte de aspectos da sua psique, que precisam partir, para que novos aspectos nasçam, possibilitando seu próprio renascimento. Desta maneira ocorrerá uma morte, mas será uma morte simbólica”,  diz a psiquiatra e psicoterapeuta que ainda esclarece:

“Quando o paciente passa a entender o que esta morte simbólica significa, ele amplia a consciência dos seus conflitos, desejos e reais sentimentos, e o self – seu próprio eu- consegue atuar, havendo um incremento na relação ego-self. O fluir do processo de individuação possibilita o encontro e a realização do sentido de uma vida”

ORIGEM DA CAMPANHA


O surgimento da campanha e sua relação com a cor amarela vem da história de um jovem americano, Mike Emme, de 17 anos, que acabou se suicidando com o próprio carro, um Mustang 68, amarelo. A família e os amigos não perceberam que ele pretendia tirar a própria vida. Depois desse ocorrido, no funeral, os pais e os amigos acabaram distribuindo cartões com fitas amarelas seguidas  da frase: “Se precisar, peça ajuda”. Desta singela ação nasceu a campanha de prevenção Yellow Ribbon (Fita Amarela), que se expandiu para todo o mundo.

Em 2003, a Organização Mundial da Saúde (OMS) instituiu o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio para 10 de Setembro e o amarelo se tornou a cor símbolo da campanha.

Mesmo consciente da importância da campanha Setembro Amarelo, a Dra. Aline alerta: “Precisamos falar sobre o suicídio sempre, não apenas durante a campanha do Setembro Amarelo. O ano inteiro muitos de nós pensarão em suicídio, outros tantos o tentarão e é preciso que todos nós, enquanto sociedade, estejamos preparados para acolher e amparar aqueles que sofrem”.

SUICÍDIO NO BRASIL

No Brasil, há mais vítimas de suicídio do que de AIDS e de câncer. É o que mostra um relatório de 2014 feito pela Organização Mundial de Saúde, que coloca o país em oitavo lugar no ranking mundial de nações com maior índice de suicídios, ficando somente atrás da Índia, do Japão, dos Estados Unidos e da Rússia, e esse número já tem aumentado principalmente entre os jovens.

Em um relatório mais recente, feito em meados de 2019, a  OMS revela dados, ainda mais preocupantes: A cada 100 mil habitantes, a taxa de suicídio aumentou 7% aqui no Brasil, ainda que no índice mundial, essa taxa tenha caído 9,8%.

Mesmo em queda, o índice mundial é assustador. Por volta de 800 mil pessoas se suicidam anualmente em todo o mundo, ou seja, é uma morte por suicídio a cada 40 segundos.

VERDADEIRO X FALSO

Há algumas inverdades sobre a questão do suicídio e existe até um certo preconceito, principalmente quando começa-se a falar que tal pessoa “se suicidou porque era covarde” ou “se matou porque não tinha nada na cabeça”, ou coisas do tipo.

Aquela afirmação de que a pessoa só tenta suicídio uma vez na vida também é falsa, pois, no geral, pessoas que tentaram suicídio mais de uma vez, acabaram se matando de fato depois de mais de uma tentativa.

Pessoas que ameaçam se matar, não querem apenas “chamar atenção”. Na realidade toda ameaça de suicídio deve ser levada a sério. Deve ser vista com carinho e atenção. Outra inverdade é achar que o suicídio só acontece com os outros, mas na verdade ele pode acontecer com qualquer pessoa que acaba vivenciando um sofrimento extremo, independente de raça, classe social, crença ou gênero.

Só o fato de haver uma tentativa de suicídio significa que o suicídio pode ocorrer no futuro.

Ainda de acordo com a Dra. Aline Machado Oliveira, é preciso conscientização e prevenção. “É muito comum em nossas relações de amizade, de trabalho ou mesmo no meio da família, nos depararmos com uma vítima de suicídio. Quando alguém pensa em suicídio, na verdade, a pessoa quer matar a dor que está dentro dela, e não necessariamente a vida.”

É importante ressaltar a importância de saber olhar para o outro e saber ouvir. “É preciso que nos sensibilizemos com a dor emocional e levemos a sério quando alguém diz que está triste, deprimido e com pensamentos suicidas. Precisamos acolher a dor humana e nos colocarmos a disposição para ouvir e nos oferecermos para acompanhar a pessoa que está sofrendo na busca de ajuda profissional”, completa .

Que sejamos mais solidários e busquemos ter mais atenção e mais respeito com pessoas que em algum momento já tentaram suicídio, ou que pensam nisso. Precisamos ter cuidado, prestar atenção e procurar da melhor maneira possível orientar ou tentar buscar uma orientação para essas pessoas que estão sofrendo com as dores extremas da alma.

Se você conhece alguém que pode estar pensando em suicídio ,ou se você mesmo tem pensado nisto ,procure ajuda profissional ,não desista de você!

ONDE PROCURAR AJUDA:

#Pelo SUS: nos CAPS (Centro de Atenção psicossocial) e nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde).

#Por convênios ou particular:nos consultórios ou clínicas de médicos psiquiatras e psicólogos.

#Se for urgente:UPAs (Unidades de Pronto Atendimento ) ou nas Emergências Hospitalares.

#Fale com alguém agora mesmo:CVV (Centro de Valorização da Vida):188.

Imagens: Divulgação | iStock

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