QUEER RAP: ARTISTAS LGBTs LUTAM POR ESPAÇO NA CULTURA HIP HOP

Artistas LGBT’s quebram as algemas do preconceito e lutam pela diversidade na cena Hip Hop

Foto: Reprodução – Observatório G – UOL (Lil Nas X)

Há cerca de 30 anos, falar sobre a representatividade de artistas LGBTQ’s dentro da cultura Hip Hop era algo, quase, inconcebível. Ainda hoje, em pleno século 21, mesmo vendo sinais de avanços na conscientização social sobre respeito mútuo a diversidade para que as pessoas tenham seu lugar de fala, o preconceito e a discriminação ainda se fazem presentes.

Durante anos, avançamos em várias pautas para que pudéssemos progredir como cidadãos, lutando por direitos humanos e civis. Entretanto, nos últimos anos percebemos retrocessos em temas que levaram anos para conquistar. Nos últimos anos, tanto no Brasil e Estados Unidos, alguns artistas do Hip Hop se pronunciaram abertamente falando sobre essa questão, como forma de apoiar e ajudar na luta contra o preconceito.

Sem dúvida, o universo do Hip Hop não é o mais acolhedor para artistas e o público LGBTQ, não só pelo machismo conservador mas, principalmente, pela resistência de determinados setores culturais de que esses artistas não ocupem este espaço. Algo no mínimo paradoxal, visto que o Hip Hop levanta a bandeira da liberdade de expressão e de respeito ao próximo.

Dentre os artistas gringos da cena, podemos destacar Zebra Katz, Le1f, Angel Haze, Tori Fixx, Cazwell, Tonéx e Frank Ocean. Considerado um dos maiores nomes da música preta norte americana, Frank Ocean iniciou sua carreira como gosthwriter (escritor fantasma) de cantores como Brandy, John Legend e Justin Bieber. Recentemente, o músico californiano de 32 anos assumiu sua homossexualidade, sendo criticado por diversos artistas e até mesmo pelo público, reforçando o motivo, leia-se homofobia, pelo qual muitas pessoas e artistas não expõem sua orientação sexual.

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Alvo de críticas pesadas devido conteúdo machista e homofóbico de suas músicas, a banca Odd Future já foi impedida de realizar shows em alguns lugares, dentre eles em um festival na Austrália, em 2011. Entretanto, em 2012, a revelação da homossexualidade do rapper Frank Ocean, que fazia parte da banca, de outros integrantes tempos depois deixou todos intrigados. Outro membro da Odd Future que falou sobre o assunto, dando a entender que também já tinha tido experiências homossexuais, foi o rapper “Tyler The Creator”. Logo depois, desmentiu dizendo que era somente brincadeira.

Por sua vez, o rapper Lil Nas X declarou que era homossexual- após a participação na Parada do Orgulho LGBTQIA+ de 2019-, sendo alvo de críticas de artistas como o rapper nova iorquino, 50 Cent que recebeu de X resposta na mesma altura da sua homofobia.

Foto: Reprodução Papelpop MTV (Frank Ocean)

No Brasil, são inúmeros os exemplos de artistas renomados que usam a sua arte para chamar atenção a causa LGBTI+. O rapper paulistano Rico Dalasam, batizado Jefferson Ricardo da Silva de 31 anos, fez história em vários momentos da cultura Hip Hop. Seu primeiro álbum produzido por Filiph Neo, colocou o artista de vez na cena, mostrando que além de talento, Rico também veio com uma postura de luta contra o racismo e o preconceito que sofre. Dalasam é um acrônimo que significa, “Disponho Armas Libertárias a Sonhos Antes Mutilados”. Músicas como ‘Aceite-c’, ‘Riquissima‘, ‘Fogo em mim‘ e ‘Mudou como?’ colocaram o artista diversas vezes no topo das paradas musicais. Compositor da música ‘Todo Dia‘ em parceria com Pabllo Vittar, que gerou polêmica entre os artistas por Direitos Autorais de composição; Rico, também, participou da música ‘Mandume’ da Laboratório Fantasma durante desfile da Fashion Week em São Paulo.

Foto: Reprodução Letras.Mus (Rico Dalasam)

A banda brasileira Quebrada Queer formada por Guigo, Murillo Zyess, Harley, Lucas Boombeat, Apuke e Tchello Gomez é o primeiro grupo Queer Rap do Brasil. Em um videoclipe produzido pela produtora Rap Box, o grupo contou com mais de 2 milhões de views não só dando evidência, mas, abrindo espaço para o gênero musical no rap brazuca. Todos os membros da banca, também, têm trabalhos solos. Vale muito a pena conferir, rap de qualidade!

Outra MC que têm ganhado evidência na cena é a cantora Monna Brutal, artista que despontou das batalhas de rimas em São Paulo e lançou seu álbum chamado 9/11. Sem contar, é claro, as cantoras Glória Groove, a mineira Urias, Lia Clark e Majur, que transita entre R&B e MPB.

São inúmeros os exemplos de grandes artistas da cena Queer que não foram citados por aqui, mas, seguem realizando um grande trabalho não só representando a diversidade fazendo de suas artes um chamado para a consciência, respeito, resistência e reconhecimento Comente aqui algum artista queer do hip hop que não foi citado e que gostariam que falássemos também.

Leia mais sobre a cantora Urias:

Fonte: ‘Tenho Mais Discos que Amigos’ (matéria publicada em fevereiro/2020) por Felipe Ernani

Vídeoclipe ‘A Caminhada’ de Glória Groove

Glória Groove – A Caminhada

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