PORTA DOS FUNDOS: MOCINHOS OU VILÕES?

“Recordes, Críticas, Sucesso e Boicotes: amados e odiados eles produzem conteúdos que abordam temas polêmicos”

“A história se repete 31 anos depois”

Em 12 de agosto de 1988, estreava nos Estados Unidos, o filme “A Última Tentação de Cristo”, dirigido por Martin Scorsese e trilha sonora de Peter Gabriel, que ganhou no ano seguinte o Prêmio Globo de Ouro de melhor trilha sonora com a música tema do filme e melhor atriz coadjuvante com Barbara Hershey.

Em São Paulo, na época o então prefeito Jânio Quadros, proibiu a veiculação do filme por achar que o filme atingia os valores cristãos dos paulistanos.

O filme foi baseado no romance de Nikos Kazantzakis. Nesse roteiro, Jesus é um homem comum, que encarna em um Messias frágil e vulnerável. Com esse filme também o diretor Martin Scorsese recebeu uma indicação ao Prêmio Oscar, como melhor diretor mas causou polêmica à época com os críticos mais conservadores.

31 anos depois, o coletivo de atores/comediantes do grupo Porta dos Fundos lançam em parceria com a Netflix pelo segundo ano consecutivo um Especial de Natal onde o tema central é o Cristianismo. Desde seu surgimento nas redes sociais o grupo lança em Dezembro de cada ano um Especial de Natal em seu canal no YouTube e devido ao sucesso em seu canal foram convidados pela Netflix a produzir e disponibilizar em sua plataforma.

Desde o início do canal os atores criam roteiros com temas polêmicos do nosso cotidiano, seja no âmbito nacional seja no âmbito internacional, abordando temas que vão desde contextos políticos até conceitos religiosos e até mesmo padrões comportamentais e estéticos da nossa sociedade.

Em 2018, eles estrearam na Netiflix com o Especial de Natal “Se Beber, não Ceie” e por incrível que pareça não causou tanta polêmica na época, dirigido por Rodrigo Van der Put e foram coroados no ano seguinte com o Prêmio Emmy Internacional na categoria “Melhor série de comédia”.

“A primeira Tentação de Cristo: Parceria do Porta dos Fundos e Netflix “

Foto: Divulgação Porta dos fundos

No último dia 03, o Porta dos Fundos lançaram um Especial de Natal chamado de “A Primeira Tentação de Cristo” pela Plataforma ‘Netflix’, com direção de Rodrigo Van der Put como no ano anterior.

Na trama, o ator Gregório Duvivier (Jesus) volta para a casa após passar 40 dias no deserto, porém está com um rapaz, Fábio Porchat (Orlando). Ao chegar em casa é surpreendido pela sua família que preparou uma festa surpresa a ele por conta dos seus 30 anos.

No filme dá-se a entender que o amigo Orlando e Jesus vivido por Gregório tem um envolvimento amoroso e com o desenrolar do filme descobresse que Orlando na verdade era Lucifer que enganou Jesus para derrotá-lo, o que não acontece.

Enfim, não vou prosseguir para não dar mais spoiler do filme que tem 43 minutos de duração, mas vale a pena assistir para que você tire suas próprias conclusões. Eu realmente, não vi nada de exagero ou anormalidade no filme, visto que partindo do princípio que é um filme de comédia.

Fabio Porchat e Gregório Duvivier são declaradamente ateus, porém se observarem o filme, eles seguiram boa parte da história que está na Bíblia, somando alguns pontos que distoam mas no final foi respeitado o cerne do que a passagem bíblica sobre a tentação foi descrita.

Foto: Divulgação Porta dos Fundos

“Polêmica entre cristãos conservadores, renovação garantida com a Netflix para 2020 e repercussão internacional”.

Vários políticos ligados à religião repudiaram e criaram um movimento com petições de boicote ao filme, houve um pedido para que os responsáveis da Netflix e do Porta dos Fundos comparecessem ao Congresso Nacional para se explicarem sobre o teor do que foi veiculado no filme. OS artistas repudiaram tal ação colocando em questão a Liberdade de expressão e a autonomia artística para representação de uma obra de ficção, mesmo que a obra aborde temas religiosos.

Segundo informações foram colhidos mais de 2 milhões de assinaturas para que o filme não fosse mais exibido e divulgado pela Netflix.

Olha o que disse o político Eduardo Bolsonaro, Deputado Federal por São Paulo que no momento se encontra sem partido, sobre o filme. O político é considerado ultra conservador e também dá declarações polêmicas sobre diversos assuntos. No caso do Especial de Natal do Porta dos Fundos ele escreveu em seu Twitter:

Bolsonaro, Eduardo – Deputado Federal (Sem Partido)

“Esse filme não representa o nosso país”

Houve também repercussão internacional do caso, onde o jornal inglês “Daily Mail”, que destacou sobre as 2 milhões de assinaturas que foram colhidas pedindo a retirada do filme do ar e também informaram que o filme só estava disponível no Brasil.

Os integrantes do Porta dos Fundos usaram suas redes sociais para se defenderem das acusações que foram direcionadas a eles sobre o filme e nessa semana lançaram um vídeo em seu canal satirizando as críticas recebidas pelo lançamento do especial.

Antonio Tabet (ator e empresário), sócio do Porta dos Fundos que no filme representa o personagem de Deus publicou no seu Twitter após juiz concluir que manteria o filme no ar, escreveu a seguinte frase:

Antonio Tabet (Twitter) 20/12

“Juiz não é crítico de arte”; “Não há exposição a seu conteúdo a não ser por opção daqueles que desejam vê-lo. Resta assim assegurada a plena liberdade de escolha de cada um de assistir ou não ao filme”; “O pedido é um ato de censura”.

Vrau!!!

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“Luciano Hang perde processo contra Gregório Duvivier pela segunda vez”

Outro caso que chamou a atenção nas redes sociais, foi um Twitter do ator Gregório Duvivier, no último dia 16 em que dizia que se Luciano Hang (Empresário) dono da Havan perdesse para ele novamente nos tribunais poderia pedir música no “Fantástico”.

Foto: Twitter (@gduvivier)

O ator é conhecido por fazer humor com um teor mais politizado sempre enfatizando a hipocrisia como são tratados alguns temas sobre corrupção, poder e manipulação política. Com isso ele ganhou muitos desafetos e o empresário Luciano Hang é um deles, um dos maiores cabos eleitorais do atual presidente Jair Bolsonaro.

Para finalizar gostaria que houvesse uma reflexão mais responsável de qual é o nosso papel na sociedade moderna, pois quando matam uma mulher negra, homossexual e que lutava pelos direitos civis logo procuramos acusações para que sua morte seja justificada para que nos isentemos de quaisquer responsabilidades.

Um pastor estupra, espanca e queima seu filho e seu enteado vivo para maquiar seu crime ou uma pastora e política manda seus filhos matarem seu marido por causa de dinheiro e poder. Ou até mesmo um padre pedófilo que alicia crianças e adolescentes e as estupra deixando marcas para o resto da vida nessas pessoas.

Deveríamos ficar consternados com tais aberrações ou nos preocuparmos com um filme de comédia? Seria egoísmo? Pois só nos revoltamos com algo quando nos atinge? Qual é o sentido da sua vida? O que te move?

Essas são algumas perguntas que devemos fazer a nós mesmos para que sejamos leves e façamos parte de uma sociedade mais sensata e altiva. Fica a dica!

Por E. Santos (Sala Secreta)

Fontes: UOL, Metrópoles, Folha de São Paulo, G1, Redes Sociais (Twitter: Gregório Duvivier e Antonio Tabet), Canal Porta dos Fundos (Youtube).

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