OIT: JOVENS TRABALHADORES ESTÃO ENTRE OS MAIS AFETADOS PELA PANDEMIA DE COVID-19

Organização Internacional do Trabalho revela que 20% das pessoas com menos de 25 anos não estudam, não trabalham nem participam de treinamento profissional . Na América Latina e Caribe, desemprego, informalidade e desocupação afetam quase 110 mi de jovens

A crise global de covid-19 pode piorar a situação de jovens trabalhadores afetando essa faixa da população de forma mais grave. A Organização Internacional do Trabalho (OIT), alerta que 20% das pessoas com menos de 25 anos não estudam, não trabalham nem participam de treinamento profissional, sendo fortemente impactadas pelas consequências econômicas da pandemia.

América Latina e Caribe

Altas taxas de desemprego, informalidade e desocupação afetam quase 110 milhões de jovens na América Latina e no Caribe e representam o desafio na elaboração de estratégias eficazes para facilitar sua inserção no mercado de trabalho, disse o escritório regional da OIT citando dados do relatório “Global Employment Trends for Youth 2020: Technology and future of Jobs” (GET Youth 2020, ou “Tendências Globais para o Emprego Juvenil 2020: a tecnologia e o futuro dos empregos”), apresentado em Genebra no começo de março.

Na América Latina e no Caribe, existem 9,4 milhões de jovens desempregados (as), 23 milhões que não estudam, nem trabalham nem estão em treinamento e mais de 30 milhões só conseguem emprego informal, de acordo com o novo relatório da OIT. A taxa de participação no mercado de trabalho das e dos jovens, que alcançou 48,7% em 2020, está diminuindo de forma leve, mas contínua, desde 2000, quando era de 53,7%. Isso significa que atualmente existem mais de 52 milhões de pessoas com idade entre 15 e 24 anos na força de trabalho regional, incluindo as empregadas e as desempregadas, mas que buscam ativamente emprego.

Além disso, os dados do novo relatório da OIT refletem uma situação desfavorável para as jovens mulheres no mundo do trabalho.

No caso dos jovens que não trabalham nem estudam, a taxa de mulheres é de 28,9%, o dobro da dos homens, de 14,6%. A maioria das 15,3 milhões de mulheres jovens tem dificuldades para acessar o mercado de trabalho, treinamento ou estudo devido a ocupações não remuneradas em casa.

As diferenças de gênero na região também são visíveis no desemprego, pois a taxa de jovens mulheres desempregadas é de 22% e está quase 7 pontos percentuais acima da dos homens (15,2%) em 2020.

 “A falta de oportunidades de trabalho decente causa desânimo e frustração entre os jovens, o que pode até ter um impacto na governança e afetar o desenvolvimento social da região, porque, em muitos casos, afeta as trajetórias de trabalho durante toda a vida”, destacou Vinícius Pinheiro, diretor da OIT para a América Latina e o Caribe, ao comentar o relatório.

Existem 9,4 milhões de jovens desempregados e desempregados na América Latina e no Caribe, 23 milhões não estudam ou trabalham e mais de 30 milhões só conseguem emprego informal | Foto: Reprodução

Desafios

No ano passado, a agência da ONU publicou um relatório sobre os desafios de trabalhadores jovens para conseguirem emprego decente mesmo em tempos de economias fortes.

Cerca de 20% dos jovens de até 25 anos estavam sem emprego, fora do sistema educativo ou de treinamento profissional, o que é conhecido pela sigla Neet, em inglês. 

Para a OIT, existem cinco razões principais pelas quais os jovens serão mais afetados pelas consequências socioeconômicas da pandemia:

Negócios

1) Trabalhadores jovens são atingidos mais que os mais velhos e experientes em épocas de recessão. Registros indicam que os jovens são também os primeiros a serem demitidos quando há uma crise. Muitos são lançados na economia informal. Empreenderes jovens e empresas geridas por jovens enfrentam problemas semelhantes por não saberem como lidar com dificuldades nos negócios.

2. Cerca de 75% dos jovens trabalham na economia informal (especialmente em países de rendas baixa e média). Por exemplo, na agricultura ou em cafés e restaurantes pequenos. Com pouca ou nenhuma reserva de dinheiro, eles não têm como ficar fora do trabalho ou fazer o autoisolamento contra a pandemia.

3. Muitos trabalhadores jovens estão em “tipos de emprego não-padronizados” incluindo part-time ou avulsos. Esses postos pagam pouco, não têm proteção social e os empregados trabalham em horas irregulares. Muitos não têm direito a benefícios empregatícios ou seguro desemprego. 

4. Trabalhadores jovens geralmente atuam em setores e indústrias que estão fortemente afetadas pela pandemia de covid-19. Em 2018, cerca de 30% dos jovens empregados na União Europeia estavam em vendas, varejo, hospitalidade e setor de alimentos. Muitos como lojistas, cozinheiros, garçons e garçonete etc. Essas posições estão entre as mais afetadas pela pandemia. As mulheres abaixo de 25 anos são mais fortemente atingidas por ocuparem mais da metade desses postos.

5. Os jovens estão mais sob risco que qualquer outro grupo etário quando o tema é automação dos serviços.

Sociedades


Para a OIT, os governos precisam levar esses pontos em consideração na formulação de políticas e medidas de proteção social para os trabalhadores jovens

O impacto sobre a juventude terá consequências de longo prazo sobre sociedades inteiras. Entrar no mercado de trabalho durante uma recessão pode levar a perdas salariais que afetarão toda a carreira dos trabalhadores jovens.

Para a agência, o legado da covid-19 sobre trabalhadores jovens pode ter consequências ainda maiores com desperdício de talento, formação e treinamento.

Fonte: divulgação ONU