NÃO, NÃO É BRINCADEIRA!

“Matheus Thuler (20), zagueiro do Flamengo chama seu colega de clube, Lincoln de “Macaco” em uma live e depois se desculpa dizendo que foi só uma brincadeira entre amigos”.

Em uma live feita pelos jogadores do Flamengo que estão de férias, Vinicius Souza e Lincoln, atacante do Flamengo se falavam quando Mathes Thuler, se aproximou e disse: “Macaco”, logo sendo repreendido por Vinicius Souza, que respondeu com um: – Que isso, cara”!. Logo em seguida, Vinicius Souza encerrou a transmissão ao vivo por um aplicativo de redes sociais.

Mas o caso ganhou repercussão, visto que estava sendo acompanhado ‘in loco’ por vários torcedores, amigos e admiradores dos atletas, gerando polêmica entre os internautas que muitos viram o caso como racismo e outros contemporizaram dizendo que foi só uma “brincadeira” entre amigos.

Matheus Thuler (Twitter) @M_Thuler

Te amo, irmão!

Você é da minha família e estamos juntos sempre para o que der e vier!
Peço sinceras desculpas a quem possa ter se ofendido com a brincadeira com meu irmão @Lincoln9
.

O fato chamou mais atenção, depois que Lincoln veio a público e defendeu Matheus dizendo que são parceiros há 7 anos e que sempre brincam entre eles, tendo um a liberdade de “zoar” com o outro dessa maneira. O que os atletas não entendem é que hoje vivemos em outra época na sociedade brasileira, que algumas situações não são mais toleradas e tratadas de forma simplória como os jovens atletas trataram o caso.

Existe uma luta que vêm sendo tratada a muitos anos para que esse tipo de absurdo não ocorra em canto nenhum de nossa sociedade, porém, atualmente com essa polarização e essa estratégia principalmente de representantes do povo que estão no poder com declarações públicas homofóbicas, misóginas e racistas. Muitos começaram a achar normal ofender por “brincadeira” outras pessoas trazendo valores preconceituosos a tona de nossa sociedade contemporânea.

Foto: Veja

Muitos casos estão sendo tratados com menos rigor pelos autoridades, podemos citar o caso do torcedor atleticano que xingou um dos seguranças dentro do estádio e não houve nenhum tipo de repreensão ou ato com severidade pelas autoridades competentes. Podemos citar inúmeros exemplos de ineficiência da justiça em casos de racismo que são minimizados e tratados como injúria racial, ou seja, diminuindo o grau de severidade sobre o tema.

O caso dos jogadores no entanto, se o ofendido não entrar com nenhum tipo de representação contra o agressor pela lei brasileira fica por isso mesmo, já em outros países, se o ato for público e notório a justiça pode entrar com processo contra o responsável pelas agressões verbais.

Racismo, preconceito e ofensa não são brincadeira, não se pode tratar com naturalidade algo que afeta milhões de brasileiros, quando um de nós é ofendido, todos nós somos vítimas de tal preconceito. Não se pode tolerar, atos escabrosos como esse e nem aceitar desculpar esfarrapadas seja de Matheus seja de Lincoln, pois se o ofendido não têm a consciência do que seu colega proferiu será necessário conhecer um pouco da história do seu povo para entender que nem por “brincadeira” se pode admitir tal ofensa.

Espero que em um futuro próximo o jogador que ainda é muito jovem tenha consciência de quem ele é e não aceite mais esse tipo de agressão contra nosso povo. Enfim, acho que esse assunto tem que ser tratado com seriedade e com firmeza, não dá pra ficar no muro com meios termos sobre um assunto tão ofensivo quanto esse.

Fonte: Revista Forum / Jornal o Globo

Por E. Santos (3sg.king) – @salasecreta3s

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