MASSACRE DO CARANDIRU COMPLETA 28 ANOS


No dia 02 de outubro de 1992, em uma ação da Polícia Militar do Estado de São Paulo que durou 30 minutos, resultou na morte de 111 presos


Imagem das vítimas do massacre do Carandiru, nas páginas de VEJA de 14 de outubro de 1992Reprodução

“Aqui é o choque!” “Chegou a morte!”

Eram gritos que ecoavam nos corredores do Pavilhão 9, durante a invasão da PM que culminou na morte de 111 presos que entrou para a história como o maior massacre de presos já vistos em todo o mundo, sem exageros.

Em 02 de outubro de 1992, aconteceu em São Paulo, na extinta “Casa de Detenção de São Paulo”, conhecido como Carandirú por se situar neste bairro localizado na zona norte de São Paulo.

Segundo relatos dois presos discutiram e por esse motivo deu-se o estopim para uma confusão generalizada no Pavilhão 9. Quando por ordem do então governo Luiz Antonio Fleury Filho a PM invadiu o Carandirú e o resultado foi um banho de sangue.

A Casa de Detenção de São Paulo, abrigava cerca de 7200 presos sendo que 2700 somente no Pavilhão 9, o resultado do massacre foi 111 mortos e centenas de feridos.

A PM alega que havia 13 armas de fogo com os presos mas não foi provado de fato se havia ou não essas armas e o resultado dessa barbárie até hoje não apontou culpados, nem os PMs envolvidos, nem seus superiores que comandaram o massacre foram presos.

Foto: Reprodução – Rede Brasil Atual

De acordo com matéria publicada na “Revista Veja” em 14 de outubro de 1992, alguns relatos de sobreviventes endossam como foi a carnificina que se deu naquela tarde. Clique Aqui para ler a matéria na íntegra.

Leia trecho da reportagem da Veja na época:

Eram 4 horas da tarde. Começam os trinta minutos decisivos, a meia hora de horror. Há pouca luz e muita fumaça no corredor de pouco mais de 2 metros de largura. A PM tem lanternas. Os presos correm entre as celas. Xingam os policiais. “Aqui é o choque”, anunciam os soldados no 2º pavimento. ‘Chegou a morte”, gritam, raivosos e ameaçadores. São alvejados por sacos de urina e fezes. Os presos brandem estiletes sujos de sangue. “Vocês vão morrer de Aids”, desafiam os detentos. Uma saraivada de tiros ecoa pelo prédio. “O japonês entrou atirando para o alto e depois saiu metralhando dentro das celas”, conta José Nonato da Silva, 29 anos, condenado a seis por assalto a mão armada. “Vi ele matar o ‘Japão’, o ‘Kico’, o ‘Nenê’, o Cláudio, o Paulo e o ‘Bahia’ “, completa Jair Osério, 28 anos, quinze de pena por latrocínio. O “japonês” é o coronel Nakaharada. Ele tem nas mãos uma metralhadora Beretta 9 milímetros, uma maravilha bélica capaz de cuspir dez balas por segundo. Entre sargentos e oficiais, há 43 pessoas na Detenção autorizadas a portar Berettas. Entram também 43 que levam facas na cintura. Cabos e soldados portam revólveres calibre 38 (tambor de seis tiros) e escopetas calibre 12, arma que pode abrir um rombo de 15 centímetros de diâmetro no peito de um preso.

Trecho do Programa Globo Repórter da Rede Globo de Televisão apresentado pelo Jornalista Celso Freitas

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