ELLA FITZGERALD, A MUSA DO JAZZ

Com um sorriso inconfundível, elegância e energia contagiante, a diva deixou seu grande legado na história da música

Em se tratando de cantoras de Jazz, os amantes do gênero possuem gostos variados. Sarah Vaughan, Billie Holliday são alguns dos nomes de divas jazzistas presentes nas rodas de conversas que chamam atenção pela alegria, simplicidade e carisma. Em quase todas elas, Ella Fitzgerald se faz presente com um sorriso inconfundível, elegância e energia contagiante, marcando seu nome na história da música.

Considerada a cantora mais popular de sua época, Ella Jane Fitzgerald (25/04/1917 – 15/06/1996) conquistou fãs pelo mundo todo através de sua inconfundível voz com ampla extensão vocal, afinação e dicção beirando a perfeição. Era tida até pelos seus colegas músicas uma extraordinária interprete que dava um tom brilhante a composições de seus parceiros de profissão. Era muito tímida e quase não dava entrevistas, tinha certa dificuldade de expor sua vida pessoal e em seus últimos anos de vida recebeu um título da Universidade de Yale, nos Estados Unidos e comentou: – “Nada mal para quem só estudou música para não ser reprovada no colégio”.

Nascida no estado da Virginia, na cidade de Newport News, em 25 de Abril de 1917, completando 103 anos se ainda estivesse viva. Segundo Stuart Nicholson, biografo e escritor da obra Ella Fitzgerald: uma Biografia da Primeira-dama do Jazz , acreditava-se que a cantora teria nascido em 1918, o que foi corrigido após Nicholson ter acesso a sua Certidão de Nascimento. O motivo dessa informação incorreta, aconteceu em seu casamento com o baixista Ray Brown, em 1947. Ella mentiu sua idade para diminuir a diferença de idade entre os dois, pois era mais velha que seu parceiro em nove anos.

Biografia de Ella Fitzgerald por Stuart Nicholson

Ao contrário do que muitos acreditavam, a cantora não teve uma infância “pobre, mas feliz” como se divulgava na época e até mesmo a cantora declarava nas poucas oportunidades que falava em público. Apesar de ter sido reconhecida pelo seu pai biológico, William Fitzgerald, Ella foi abandonada por ele aos três anos de idade, sendo criada por sua mãe “Tempie”, abreviação de Temperance. Um ano depois, Tempie estava casada e grávida de Joseph da Silva. Em 1923, a família mudou para a cidade de Yonkers, em Nova Iorque, vivendo em um bairro muito pobre de imigrantes italianos. A jovem Ella gostava muito de dançar na vizinhança, e pedia para as meninas mais velhas lhe ensinassem novos passos para que pudesse praticar, pois seria muito famosa- sendo ridicularizada pelos colegas.

Mas, foi em uma igreja que Ella deu seus primeiros passos na música. Sem contar, que fez parte da primeira geração que teve contato com o rádio e o fonógrafo, na qual se apaixonou. Ella nunca escondeu sua admiração pelo cantor e trompetista Louis Armstrong, ele a inspirou em suas canções e em suas performances, tanto que a cantora fazia imitações do artista como em uma gravação de 1929, da música “Ain’t Misbehavin” de Louis.

“Sei que não sou uma garota glamourosa. Não é fácil, para mim, ficar em frente de uma multidão. Isso me incomodava bastante, mas, percebi que Deus me deu esse talento para usá-lo, então eu fico lá e canto.”

Ella Fitzgerald

Em 1932, perdeu sua mãe que sofreu um ataque cardíaco e foi morar com sua tia no bairro do Harlem. A difícil convinvência com a tia, a levou abandonar os estudos e realizar trabalhos marginais, como vender bilhetes de loteria financiada pela máfia e ser olheira de prostitutas nas ruas da cidade, informando a aproximação policial. Tempos depois, Ella foi presa e levada a uma espécie de reformatório, fugindo em 1934, com apenas 17 anos de idade.

Para não retornar a casa da tia, a cantora decide concorrer em um Festival de Dança e Canto no Harlem. No entanto, o medo de competir com as dançarinas a fez perder seus últimos 10 dólares, já que desistiu da dança e se inscreveu como cantora. A facilidade de imitar cantores da época, permitiu a Ella interpretar Judy e The Object of My Affection, enlouquecendo a todos que estavam no local. Ella Fitzgerald venceu o festival, mas não recebeu o prêmio de ser apresentar durante uma semana com cachê no local, no chamado Apollo Theater. O motivo, segundo o teatro, era não denigrir a imagem do local, pois a cantora não estava nos padrões aceitos pelo público que frequentava o local. Algo imaginável, já que a cantora estava vivendo nas ruas, sem lugar para dormir, somente com as roupas do corpo e sem lugar para tomar banho e se preparar.

Após dois meses, Ella ganhou outro festival no Harlem Opera House. Dessa vez, foi honrada com uma semana de apresentações, mas não pode contemplar seu cachê, pois para se apresentar o contratante descontou o gasto com a compra de roupas para ela. Entretanto, a repercussão das suas vitórias nos festivais começaram a ganhar dimensão. Em 1935, a cantora foi convidada para uma audição na big band de Chick Webb, baterista e líder da orquestra. Após um ano, com Ella Fitzgerald comandando os microfones, a orquestra se popularizou conquistando espaço na imprensa musical da época.

Com apenas dois anos de carreira, Ella foi eleita a melhor vocalista de 1937, pelas duas principais revistas de música da época: Down Beat e a Metronome. Mesmo após a morte de Chick Webb, a cantora permaneceu na orquestra por mais três anos. Em 1942, se despediu da banda para seguir em carreira solo.

Entre as estratégias do selo Decca para a nova cantora, estava a gravação de duos com artistas renomados, dentre eles The Delta Rhythm Boys, Louis Armstrong, Louis Jordan e Sly Oliver. Já no final de 1946, Ella foi convidada pela banda de Dizzy Gillespie para uma longa temporada de apresentações. Além de Dizzy, durante sua gloriosa carreira dividiu palco com outros músicos e cantores talentosos como Duke Ellington, Louis Armstrong, Count Basie, Oscar Peterson e Joe Pass.

“A Única coisa melhor do que cantar, é cantar”.

Ella Fitzgerald

Cantoras que foram influenciadas por Ella Fitzgerald

Apresentação em 22 de Junho de 1969, no Festival Live at Montreux


Imagens: Divulgação

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