DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE RESSALTA AÇÕES PARA CONTER CRISE DE BIODIVERSIDADE

É preciso tomar ações urgente para proteger a biodiversidade das florestas dada sua importância na proteção de espécies do planeta. No Brasil, o mico-leão-de-cara-dourada,é um dos exemplos do risco de extinção

Celebrado nesta sexta-feira (05/06), o Dia Mundial do Meio Ambiente  criado em 1972, durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, tem o intuito de chamar a atenção para os problemas ambientais e para a importância da preservação dos recursos naturais em todo o mundo. Neste ano, o tema escolhido pela ONU é a biodiversidade.

Concentrando quase 10% de toda a biodiversidade do planeta, a Colômbia é o país escolhido para abrigar as celebrações, que ocorrem, na maior parte, de forma virtual por causa do risco de contaminação com a Covid-19. Mas um outro risco, o das ameaças à biodiversidade, chama a atenção este ano.

Desde a menor bactéria parasita abrigada nas entranhas de um primata até à baleia azul, a biodiversidade está presente na variedade de vida na Terra. Em 2019, a ONU lançou um alerta sobre o perigo de extinção de quase 1 milhão de espécies no mundo. Das 115 maiores plantações de alimentos do globo, 87 dependem da polinização ou de insetos para crescer.  

Cerca de 50 mil a 70 mil espécies de plantas são colhidas todos os anos para remédios tradicionais ou modernos. E com o papel das árvores e florestas de remover o dióxido de carbono liberando oxigênio na atmosfera, a biodiversidade também ajuda a conter os efeitos da mudança climática.

A poluição de químicos e de resíduos é um dos maiores motivos da perda de biodiversidade global. Mas há regulações que permitem mitigar os danos causados ao meio ambiente. A Abordagem Estratégica para o Gerenciamento Internacional de Produtos Químicos (Saicm, na sigla em inglês) promove o desenvolvimento dos padrões legais e regulatórios. A iniciativa foi criada em 2006 para promover proteção no uso desses produtos pelo mundo. A agência atua com governos, indústria, sociedade civil e o sistema da ONU para minimizar os efeitos adversos sobre o meio ambiente e à saúde humana até 2020. A Colômbia, por exemplo, implementou leis para melhorar o manejo seguro desses químicos.

FLORESTAS DO MUNDO

É preciso tomar ação urgente para se proteger a biodiversidade das florestas devido a taxas alarmantes de desmatamento e degradação, segundo a última edição do relatório Estado das Florestas do Mundos, produzido pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, em parceria, pela primeira vez, com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma. 

A pesquisa mostra que cerca de 420 milhões de hectares de floresta foram perdidos desde 1990, mas a taxa de desmatamento anual diminuiu nas últimas três décadas.Estes ecossistemas abrigam a maior parte das espécies do planeta, com cerca de 60 mil espécies de árvores, 80% de todos os anfíbios, 75% das aves e 68% dos mamíferos.

Um dos exemplos destacados no relatório é o mico-leão-de-cara-dourada, do Brasil. O relatório afirma que a floresta da região está muito fragmentada, devido a décadas de desmatamento, e por isso o animal corre risco de extinção. Nesse momento, é estimada uma população entre 6 mil e 15 mil micos.

A maioria se encontra na Reserva Biológica de Una. Apesar de poderem viver em plantações recentes com algumas árvores mais velhas, não sobrevivem em regiões sem árvores de grande porte, onde precisam dormir durante a noite para sobreviver a predadores.

A proteção destes ecossistemas também tem uma importância econômica. As florestas fornecem mais de 86 milhões de empregos. Daqueles que vivem em extrema pobreza, mais de 90% dependem destes recursos para sua subsistência. Esse número inclui 8 milhões de pessoas na América Latina.

AMAZÔNIA

O relatório destaca que mais de metade das florestas de todo o mundo podem ser encontradas em apenas cinco países: Brasil, Canadá, China, Estados Unidos e Rússia. 

Apesar da desaceleração da taxa de desmatamento, cerca de 10 milhões de hectares ainda estão sendo perdidos a cada ano através da conversão para agricultura e outros usos da terra. Os fogos florestais são outra ameaça. Cerca de 90% são contidos imediatamente, mas os 10% que não são controlados são responsáveis por 90% da área queimada. 

A pesquisa destaca grandes fogos que ocorreram em 2019, como na Amazônia e na Austrália, dizendo que “causam grandes perdas de vidas humanas e animais, propriedades e bens econômicos e ambientais.” O relatório aponta ainda alguns avanços de conservação. Nesse momento, mais de 30% de todas as florestas tropicais fazem parte de áreas protegidas.

” A poluição do ar mata mais de 7 milhões de pessoas no mundo anualmente. No Brasil, foram mais de 44 mil mortes, em 2016. A manutenção das florestas, em especial da floresta amazônica, é determinante para a vida e desenvolvimento do país pós-coronavírus por afetar diretamente a qualidade do ar nas cidades quando há queimadas, por assegurar as chuvas nas lavouras brasileiras e por ser ainda um ambiente pouco estudado e com inúmeras espécies animais e vegetais ainda por serem descobertas, destaca o manifesto “Queremos respirar no ‘novo agora’, divulgado nesta sexta Dia Mundial do Meio Ambiente.

Por isso, 24 entidades que compõem a Coalizão RespirAr apresentam 6 pedidos públicos que podem mudar o cenário atual para uma retomada justa, com ar limpo e melhor qualidade de vida para nossa sociedade: Retomada justa com veículos mais limpos; Transporte individual ativo para distanciamento social; Garantia de transporte coletivo de qualidade; Desmatamento Zero e contenção de queimadas; Monitoramento e padrões de qualidade do ar atualizados e Urgência na aprovação da Política Nacional de Qualidade do Ar.

Manifesto “Queremos respirar no ‘novo agora'” | Foto: Divulgação

AÇÕES

Veja o que cada um pode fazer para ajudar a proteger a biodiversidade e a proteger o meio ambiente:

Mais de metade das florestas de todo o mundo podem ser encontradas em apenas cinco países: Brasil, Canadá, China, Estados Unidos e Rússia, destaca estudo

Três passos 

  1. Evite consumir plásticos de uso descartável e tente minimizar sua quantidade de lixo. A poluição marinha subiu 10 vezes desde 1980 e afeta 86% das tartarugas marinhas e centenas de outras espécies.
  2. Descarte corretamente os produtos químicos e o lixo tóxico. Não jogue remédios  no ralo ou em vasos sanitários e não ponha produtos tóxicos no lixo normal. Leve-os a uma estação de coleta apropriada.
  3. Não compre produtos nocivos a insetos e a polinizadores. O uso desses agentes acaba com os insetos e com populações inteiras de micro-organismos. Alguns químicos podem afetar a quantidade de esperma das abelhas masculinas e diminuir a proliferação de abelhas-rainha.

Fotos: Pixabay

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