DIA INTERNACIONAL NELSON MANDELA

Comemorado em 18 de julho, data homenageia o nascimento de um dos maiores líderes mundiais na luta contra o apartheid na África do Sul

A Fundação Nelson Mandela, que gerencia o legado do ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandela (1918-2013) que completaria 102 anos neste sábado (18/07), realizou a 18ª Conferência Anual Nelson Mandela em parceria com a Organização das Nações Unidas (ONU). A série de palestras da Fundação Nelson Mandela acontece no dia do aniversário de nascimento do primeiro presidente democraticamente eleito da África do Sul e prêmio Nobel da paz (1993). Todos os anos, personalidades mundiais são convidadas para discutir os principais desafios internacionais. 

Nelson Mandela discursa na Assembleia Geral No 50º aniversário das Nações Unidas, em outubro de 1995 I Imagem: ONU/G Kinch

Proferida virtualmente em decorrência da COVID-19 pelo Secretário-Geral da ONU, António Guterres, a conferência trouxe o tema Combater a pandemia da desigualdade: um novo contrato social para uma nova era.

Antonio Guterres Nmal 2020 1
Secretário-Geral da ONU, António Guterres, durante 18ª Conferência Anual Nelson Mandela | Imagem Fundação Nelson Mandela

Dedicado à memória de Zindzi Mandela, filha de Mandela e Winnie Madikizela-Mandela, que faleceu no início da semana, o evento  contou com  as participações do Secretário-Geral na cidade de Nova York e a equipe da Fundação em Joanesburgo, dentre eles o presidente-executivo da Fundação, Sr. Sello Hatang.

O evento também contou com apresentações musicais  do coral juvenil de Ndlovu e da campanha ONE.  Este último estreou a música ‘Stand Together’, tocada por 10 artistas de todo o continente africano.

Guterres argumentou que a desigualdade se tornou o atributo definidor do início do século 21, algo cruelmente exposto pela pandemia do COVID-19.  O último, ele insistiu, expôs: “O mito de que estamos todos no mesmo barco.  Porque enquanto todos flutuamos no mesmo mar, é claro que alguns de nós estão em super-iates, enquanto outros estão agarrados aos detritos flutuantes “.

E embora a humanidade possa enfrentar o desafio do coronavírus, o que ele encontrará a longo prazo é que “a desigualdade afunda todos os barcos”.  Para entender essa dura realidade, e superá-la, observou Guterres, devemos contar com a resiliência destrutiva do colonialismo, racismo e patriarcado.  E devemos construir uma nova ordem mundial dedicada à tarefa de desmontá-las.

Guterres também falou do legado do colonialismo ao dizer que esse é um aspecto histórico da desigualdade. Para ele, o movimento antirracista de hoje é um reflexo dessa realidade.   

Ele afirmou que os países do norte, especificamente os europeus, dominaram os Estados do sul “através da violência e da coerção.” Isso levou a enormes desigualdades entre países e dentro deles, incluindo o comércio transatlântico de escravos e o regime do apartheid na África do Sul. 

Para ele, o patriarcado é outra desigualdade histórica com efeitos nos dias de hoje.  

O chefe da ONU terminou reafirmando a importância da cooperação e solidariedade internacionais. Segundo ele, ou os países estão juntos, ou desmoronam.  

Guterres acredita que o mundo está em um ponto de ruptura e é hora de os líderes decidirem que caminho querem seguir. Segundo ele, é preciso escolher entre “caos, divisão e desigualdade” ou corrigir os erros do passado.

Ainda durante a palestra, António Guterres anunciou que o jogador sul-africano de rugby,  Siya Kolisi, será o novo embaixador da Boa Vontade para a campanha “Spotlight” para combater a violência a mulheres.  A iniciativa é liderada pela agência ONU Mulheres e conta com o financiamento da União Europeia.

Em suas considerações finais, Hatang endossou o Secretário-Geral da ONU. Ele descreveu um contrato social global que se basearia em antigos conhecimentos humanos, estaria enraizado no respeito pela Terra e dedicado ao fim da desigualdade e da supremacia branca em todas as suas manifestações: “Que desafio!  Que tarefa!  Está em nossas mãos.

Confira a mensagem  de vídeo do secretário-geral para o Dia Internacional Nelson Mandela 2020:

Fontes: Fundação Nelson Mandela e ONU