DIA INTERNACIONAL DA MENSTRUAÇÃO E A POBREZA MENSTRUAL

 Comemorado no dia 28 de maio, o Dia Internacional da Menstruação expõem a luta de mulheres pela quebra de tabus em torno da menstruação e enfrentamento da pobreza menstrual

Celebrado mundialmente no dia 28 de maio, o Dia Internacional da Higiene Menstrual ( em inglês, Menstrual Hygiene Day), por meio da iniciativa da ONG alemã Wash United (Water, Sanitation and Hygiene, em inglês), promove a quebra de tabu em torno da menstruação e medidas concretas para garantir o fim de práticas discriminatórias contra mulheres e meninas e o enfrentamento da pobreza menstrual, por meio do ativismo político e social, além de campanhas como a #MHDay2020, promovida pela @menstrualhygieneday.

Campanha online  #MHDAY2020 promovida mundialmente pela @menstrualhygieneday

Sete especialistas de direitos humanos da ONU*, fizeram um apelo à comunidade internacional para que se quebre o tabu em torno da menstruação e medidas concretas sejam adotadas para garantir o fim de práticas discriminatórias. Outro pedido é que a saúde menstrual de mulheres e meninas seja protegida.

O estigma e a vergonha gerados por estereótipos sobre a menstruação têm impactos severos em todos os aspetos dos direitos humanos das mulheres e meninas. A consequência principal dessa situação é que ainda hoje milhões de mulheres sofrem de vergonha e isolamento quando estão menstruadas. Estes incluem os direitos à igualdade, à saúde, à moradia, à água, ao saneamento, à educação, à liberdade religiosa e de crença, à segurança e a condições de trabalho saudáveis, além da participação na vida cultural e pública sem discriminação.

De acordo com especialistas da ONU, “apesar de campanhas recentes de mulheres para desafiar os tabus da menstruação, assim como a atenção crescente à questão da menstruação na mídia, em pesquisas, nas artes e em decisões políticas, deve haver mais esforços para enfrentar os desafios de mulheres e meninas em relação ao seu ciclo menstrual.”

Eles acrescentam que “normas socioculturais prejudiciais, estigmas, equívocos e tabus em torno da menstruação, continuam a levar à exclusão e discriminação de mulheres e meninas”.

Os especialistas apontam que em alguns países, as mulheres e meninas menstruadas são consideradas “contaminadas e impuras”. Elas sofrem restrições como a proibição de cozinhar ou tocar na água, participar de cerimônias religiosas, culturais e atividades comunitárias.

Pobreza Menstrual

Durante a menstruação, mulheres e meninas podem até mesmo ser obrigadas a ficar em locais fora da casa sem estrutura, onde sofrem com frio, isolamento, risco de doenças e ataques de animais. Os especialistas explicam que, além disso, “muitas mulheres e meninas vivem sem privacidade para limpeza, por falta  de acesso a banheiros seguros e higiênicos, ou facilidades sanitárias separadas nos locais de trabalho, educação e outras instituições públicas.”

Produtos de higiene sanitária são frequentemente inacessíveis ou muito caros, especialmente para mulheres e meninas vivendo em condições de pobreza ou em situações de crise. Nestas situações, que abrangem a chamada pobreza menstrual, meninas e mulheres podem ter que usar materiais improvisados e anti-higiênicos que podem levar a vazamentos e infeções, colocando a saúde delas em risco.

No Brasil, cerca de 26,9 milhões de mulheres residem em locais sem coleta de esgoto; 15 milhões não recebem água tratada e 1,6 milhão não tem banheiro em casa, releva levantamento da ONG Trata Brasil, realizado em 2016.

Autoras de um projeto de lei que propõe a distribuição de absorventes em espaços públicos como postos de saúde, escolas e presídios, em trâmite na Câmara dos Deputados, Tabata Amaral e a deputada federal Marília Arraes (PT-CE), reforçam a luta na esfera política brasileira pela dignidade e fim de práticas discriminatórias que afligem mulheres não só Brasil, mas em todo o mundo.

Existe uma falta de acesso generalizada a educação sexual, que leva ao estigma e conhecimento limitado sobre a menstruação, apontam especialistas da ONU. Com isso, “muitas meninas têm sentimentos negativos e ambivalentes sobre a menstruação, além de experimentarem estresse psicossocial, com impactos na habilidade delas de aprenderem.” Eles acrescentam ainda que “em alguns países a primeira menstruação é ligada a prontidão para o casamento, aumentando os riscos da gravidez na adolescência, limitando a educação das meninas e as oportunidades de trabalho.”

“Quando fiquei menstruada pela primeira vez, minha primeira reação foi chorar. Por alguma razão, eu achava que menstruar era uma coisa ruim. Me ensinaram que eu deveria ter vergonha e não sair falando sobre isso por aí”, relatou a Deputada Federal  Tabata Amaral (PDT-SP), em sua rede social no #DiaInternacionalDaMenstruação.

Outras nações também teriam desenvolvido políticas que atendam mulheres e meninas durante a menstruação, como apoio no ambiente de trabalho e o fornecimento de produtos sanitários de graça nas escolas. Para os especialistas da ONU, a “saúde menstrual e a higiene devem ser priorizadas como parte de uma educação sexual abrangente, água e políticas sanitárias, garantindo que a sexualidade da mulher e direitos reprodutivos sejam respeitados, e que elas tenham acesso a produtos de higiene menstruais seguros, acessíveis e de qualidade.”

O grupo finaliza o comunicado destacando que é “inaceitável que mulheres e meninas sejam expostas a estereótipos de gênero prejudiciais ou a tabus relacionados a funções naturais e biológicas como a menstruação, resultando no ostracismo e na discriminação a mulheres e meninas.”

Fonte: Divulgação ONU e Menstrual Hygiene Day

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