COMUNICAÇÃO NÃO-VIOLENTA: PERCEPÇÃO SOCIAL E AFETIVA NO MUNDO CONTEMPORÂNEO

Sidnei Rodrigues de Andrade*

Salve, parceiros!

Há tempos, queria aprender e compreender o conceito da Comunicação Não-Violenta. O primeiro contato que tive com termo, surgiu enquanto visitava uma renomada livraria aqui de São Paulo. Eis, o meu livro de inspiração:

Foto: Divulgação Amazon

E para falar sobre o assunto, entrevistei a Dra. Ana Carolina Maciel Silva Especialista em Direito, Pós-Graduada em Direito Penal e Processo Penal (Crimes eletrônicos), Conciliadora Judicial e Mediadora do Tribunal da Justiça de São Paulo.

Dra. Ana Carolina Maciel Silva, Especialista em Direito | Foto: Arquivo pessoal

SS- O desenvolvimento das plataformas das mídias sociais, e a maneira como nos relacionamos por meio delas, é tido como um dos marcos do século XXI. Os seres humanos conseguem olhar para dentro de si, sem se assustar?

AC- Acredito que todo ser humano carrega em seu interior um universo de possibilidades. Ao despirmos dos rótulos e julgamentos, mergulhamos numa jornada pessoal em busca de nossa verdadeira essência. Então, respondendo sua pergunta, é possível olharmos para dentro de nós mesmos, sem nos assustarmos ao praticarmos a autoempatia.

“Em tempos de pandemia (covid-19) as pessoas estão despertando para outra realidade e a cultura da violência abre espaço para um olhar mais compassivo”.

SS- A formação da sociedade civil brasileira foi formada pela contextualização autoritária, violenta e imensas desigualdades sociais. Este é um processo da comunicação alienante nas raízes da filosofia política?

AC- Olhando sob este prisma, a comunicação alienante é uma maneira de fomentar conflitos de toda ordem, inclusive quando negamos nossa responsabilidade com o todo.

SS- Alguns especialistas de marketing do século XXI “vendem fórmulas do sucesso”. Na reflexão: “o sucesso é a soma de esforço e determinação repetitivos” – Robert Koller, a Comunicação não-violenta é ouvir a voz do inconsciente?

AC- Ao meu ver, a Comunicação não-violenta acaba sendo uma prática reflexiva sobre nossas necessidades e as do outro. Identificando o que está por trás de cada mensagem e se estivermos abertos, podemos estimular um diálogo interno.

“O ser humano carrega em seu interior um universo de possibilidades. Ao despirmos dos rótulos e julgamentos, mergulhamos numa jornada pessoal em busca de nossa verdadeira essência”.

SS- Os meios de comunicação e alguns representantes (da política, artes e educação) no Brasil educam e fortalecem a cultura do ódio, intolerância e ignorância do povo?

AC- Entendo que há equívocos, mas ao invés de apontar as inconsistências prefiro ler nas entrelinhas e buscar compreender a causa e identificar quais necessidades não foram atendidas.

SS- A contextualização do neoliberalismo sempre foi presente em países emergentes da América Latina, África, Oriente Médio e Ásia Meridional,  fortalecendo a cultura da violência em todos segmentos econômicos e  sociais. Qual é sua observação dessa ótica contemporânea?

AC- Há um cenário interessante no panorama mundial. Em tempos de pandemia (covid-19) as pessoas estão despertando para outra realidade e a cultura da violência abre espaço para um olhar mais compassivo.

“Gosto de pensar que a escola é um organismo vivo e a educação está sempre em transformação”.

SS –  A sociedade civil brasileira elegeu um chefe de estado que faz discursos de desrespeito a diversidade cultural humana. Metade da população brasileira se identifica com essa narrativa agressiva. Como a comunicação não-violenta pode instruir e apontar alternativas nas relações sociais no Brasil?

AC- A partir da conscientização de nossas necessidades, ao invés de tentar entender o que há de errado com o outro, aprendemos a lidar com as circunstâncias da vida, resolvendo e superando dificuldades nas interações sociais. Acredito que a empatia acolhe, direciona e fortalece os relacionamentos humanos.

SS- Como você observa a educação brasileira neste século XXI?

AC- Gosto de pensar que a escola é um organismo vivo e a educação está sempre em transformação. Na educação do século XXI, precisamos revisitar conceitos e formas tradicionais de ensino, contemplando novas formas de aprendizagem. No Brasil, em especial, existem diversos, a começar pelo fato de que nem todo cidadão tem acesso a escolarização. Ainda há muito a ser feito!

SS – Qual mensagem gostaria de compartilhar com os leitores do Sala Secreta?

AC- Permita-se viver cada dia de uma vez. Cultive a atenção plena e livre-se dos julgamentos. Observe seus sentimentos e comunique suas necessidades com pedidos claros e específicos. Assim praticaremos uma comunicação mais assertiva.

Ao realizar esta entrevista, lembrei de dois campos de conhecimento, essenciais para a compreensão do mundo contemporâneo: a psicanálise e a filosofia.

Me atentei as respostas dada pela Dra. Ana Carolina, e tenho dito há tempos: o ser humano em aspectos de análise interdisciplinar é um grande mistério,  falta muita coisa para aprender e compreender o sentido da vida. Ninguém sabe ao certo,  a essência, existência e o legado ao universo da Escola da Vida.

Nosso muito obrigado a Dra. Ana Carolina Maciel Silva, pela disponibilidade e atenção, e a você leitor que chegou até aqui. Gratidão!

Abraços, até a próxima!

Sidnei Rodrigues de Andrade
Colunista

*Sidnei Rodrigues de Andrade – Bibliotecário, apaixonado pelo universo da literatura, Co-autor do livro Despertar do Mestre e colunista do Sala Secreta, Blog da Monitoria Cientifica FaBCi ( Admiráveis Bibliotecas Comunitárias) e Bibliothiking. Nas redes sociais, administrada as páginas do Facebook: Biblioteconomia –FESPSP, Atividades Complementares FaBCi – FESPSP e co-administrada a Rede de Pesquisador@s das Literaturas de autoria Negra e Afro-Brasileira.

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Fotos: Banco de Imagens

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