CÂNCER NO ÚTERO: A IMPORTÂNCIA DOS EXAMES DE ROTINA

Dados do Instituto Nacional do Câncer revelam que mais de meio milhão de mulheres são afetadas pela doença todos os anos

Na semana passada, a apresentadora Fátima Bernardes anunciou que foi diagnosticada com câncer de útero e pausaria as gravações de seu programa matinal para realizar o tratamento. Felizmente ela descobriu a doença em estágio inicial, graças a um check-up. A notícia acende um alerta sobre a importância das consultas de rotina.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), mais de meio milhão de mulheres no mundo todo são afetadas pelo câncer de colo de útero anualmente. No Brasil, segundo a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), foram registrados 22 mil casos anuais desse tipo de tumor. Ainda assim, poucas mulheres sabem que existem dois tipos de câncer nessa mesma parte do corpo: o câncer do colo do útero e o câncer no corpo do útero (também conhecido como câncer do endométrio).

Qual é a diferença entre os dois?


O câncer do colo do útero é causado pelo vírus HPV e corresponde a ¾ dos casos de câncer do útero no Brasil. Ele é mais comum em países de média e baixa renda e representa um problema de saúde pública.

Já o câncer do corpo do útero é mais comum no pós-menopausa, por conta de fatores como envelhecimento, exposição hormonal e obesidade, ou até mesmo por fatores genéticos.

No Brasil, 6.500 mulheres são diagnosticadas anualmente com câncer do corpo do útero em estágio inicial. Mas, é importante estarmos atentos, já que os casos desse tipo de câncer estão aumentando ao redor do mundo. No nosso país se espera um aumento, isso acontece porque, além do envelhecimento da população, hoje, 50% da população feminina brasileira tem sobrepeso, e 20% é obesa. 

Com isso em mente, a Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) anunciou na última semana, em conjunto com a OMS, uma campanha para erradicar a doença no país.

Os sintomas do câncer de colo de útero só aparecem com sinais de corrimento alterado, dor abdominal ou pélvica, e até mesmo sangramento fora do período menstrual, quando está num estágio muito avançado. “O acompanhamento anual com um ginecologista, mesmo que a paciente esteja bem e não apresente nenhum tipo de sintoma, é de extrema importância. Algumas doenças, como o câncer de útero, no início podem ser assintomáticas”, enfatiza o doutor Fernando Prado, ginecologista, obstetra e especialista em reprodução humana.

De acordo com o especialista, o exame preventivo inicial mais indicado para todas as mulheres que iniciaram a vida sexual é o Papanicolau. “O exame é o responsável por detectar infecções e alterações na região íntima, além de analisar as condições do útero, se há algum tipo de lesão que precisa ser investigada por biopsia ou até mesmo raspagem para descartar qualquer indicativo de câncer”, explica.

Nos casos de resultados anormais no Papanicolau, o ginecologista pode solicitar também a Colposcopia, exame que analisa diretamente o colo uterino, além de outras estruturas genitais.

Ao falar de câncer de útero a primeira dúvida levantada é sobre a necessidade da remoção do órgão. “O ginecologista junto com o time de oncologia avaliará cada caso. Primeiro deve-se analisar a extensão do câncer, e caso seja possível, realizar uma conização, ou seja, a retirada de um pedaço um pouco maior do tecido uterino. Desta maneira é possível remover a parte doente sem que ela se espalhe para o resto do corpo, conservando também a funcionalidade do útero”, esclarece doutor Prado.

Se a expansão das células cancerígenas for muito grande também será realizado tratamento de radioterapia ou quimioterapia. “Nessas situações é importante uma conversa com a paciente sobre o desejo de uma gravidez futura, já que os tratamentos quimioterápicos e a radiação podem levar a uma menopausa precoce. Quando a mulher está em idade fértil é válido considerar deixar óvulos ou embriões congelados que podem ser fertilizados quando a paciente estiver livre da doença”, enfatiza. Caso o câncer tenha se espalhado para todo o órgão, é necessário realizar a remoção.

A principal causa do câncer do colo do útero é a infecção pelo vírus HPV (papilomavírus humano). “Quando não causa o sintoma mais comum das verrugas genitais, o vírus vai lesionando a parede do útero aos poucos. Podem passar anos até que se desenvolva um câncer”, explica doutor Fernando.

Como tratá-los?

O câncer do colo do útero pode ser eliminado com a combinação de vacina contra o HPV e exame preventivo, conhecido como Papanicolau. No Brasil, desde 2014 o SUS distribui a vacina gratuitamente para meninas entre 9 e 14 anos, e meninos entre 11 e 14, já que vacinar meninas e meninos antes do início da vida sexual pode parar a transmissão do vírus HPV. Associando essa vacinação ao exame Papanicolau, que pode detectar a infecção e, também, está disponível na rede pública de saúde, será possível que o câncer do colo do útero deixe de ser um problema de saúde pública no Brasil. A vacina também pode ser tomada pela população com idade superior em clínicas particulares.

O câncer do corpo do útero, ou câncer do endométrio, quando diagnosticado em seu estágio inicial, é possível fazer cirurgia em que útero, trompas e ovários são retirados. Todos os meios cirúrgicos estão disponíveis no sistema de saúde brasileiro, até mesmo a robótica, que é feita em centros de excelência, como o Instituto Nacional do Câncer. Já os casos com diagnósticos intermediários podem ser tratados com quimioterapia, radioterapia ou uma combinação das duas. Quando o caso se encontra em metástase, há soluções medicamentosas, como quimioterapia, imunoterapia e drogas-alvo.

Em tempos de pandemia, a busca por vacinas e até mesmo consultas de rotina caíram bastante. “Quanto mais cedo a doença for detectada mais fácil será o processo, então é importante manter em dia a visita anual com seu ginecologista”, finaliza o doutor Prado.

Imagens: Freepick

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