76% DAS MULHERES SOFRERAM VIOLÊNCIA NO TRABALHO, REVELA PESQUISA

Relatório evidência situações de violência, constrangimento e assédio vivenciados pelas brasileiras no trabalho

Gritos e xingamentos; discriminação em razão da aparência, raça, idade ou orientação sexual; controle excessivo e críticas constantes; agressão física; elogios constrangedores; assédio e estupro. Estas são algumas das situações de violência, constrangimento e assédio vividas pelas brasileiras no trabalho, segundo a pesquisa Percepções sobre a violência e o assédio contra mulheres no trabalho. Segundo o estudo, produzido pelo Instituto Patrícia Galvão e Locomotiva com o apoio da Laudes Foundation, quatro em cada dez mulheres foram alvo de xingamentos, insinuações sexuais ou receberam convites de colegas homens para sair.

O estudo online, realizado entre 7 a 20 de outubro de 2020, contou com a participação de 1.500 pessoas, sendo 1.000 mulheres e 500 homens com 18 anos de idade ou mais.

Ainda de acordo com o levantamento, uma parcela significativa de trabalhadoras também vivencia situações de depreciação das funções que exercem, tendo suas observações desconsideradas (37%), ganhando um salário menor do que colegas homens com o mesmo cargo (34%), recebendo críticas constantes sobre o esforço com que exercem as atividades (29%).

Colegas homens também são responsáveis por constranger as mulheres de outras formas, como elogiar de forma constrangedora (36%). A tentativa de se exercer poder sobre as mulheres se deu através de outras formas, como ameaças verbais (23%) e a discriminação por conta da aparência física ou idade das trabalhadoras (22%).

Um dos comportamentos mais graves que atingem as trabalhadoras é a agressão sexual, categoria do estudo que engloba tanto os casos de assédio sexual como estupro. Esse tipo de episódio, que configura crime, atinge 12% das mulheres entrevistadas pelo instituto. Além disso, 4% foram vítima de agressões físicas no ambiente de trabalho.

Embora as estatísticas preocupem têm deixado de adotar procedimentos mais rigorosos. Em apenas 34% dos casos denunciados aos gestores, a empresa ouviu o relato da vítima e puniu o agressor. Em 12%, a empresa sequer ouviu a vítima.

O estudo destaca, ainda, que, em apenas 28% dos casos relatados, a vítima soube que o agressor sofreu alguma consequência. Em 39% dos episódios, a vítima ficou sem informações sobre as medidas tomadas para penalizar o agressor e em 36% nenhuma sanção foi aplicada.

Tristeza, ofensa, humilhação e raiva são os sentimentos mais comuns; apenas 16% disseram não ter se importado.

EQUIDADE

Há a percepção geral de que o trabalho doméstico (em especial o cuidado com os filhos) prejudica mais as mulheres do que os homens no mercado de trabalho. Para a maioria, ter filhos diminui as oportunidades das mulheres no mercado de trabalho, impactando mais a carreira delas do que a dos homens.

Além do reconhecimento de que as mulheres em geral têm menos oportunidades no mercado de trabalho, há também a percepção de que alguns grupos de mulheres – como as que têm mais de 50 anos, negras, lésbicas e trans – têm menos oportunidades, embora grande parte não reconheça a disparidade salarial entre mulheres negras e brancas.

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA x PANDEMIA

Para 7 em cada 10, as vítimas de violência doméstica têm um desempenho pior no trabalho. E o problema está por perto: mais da metade desconfia de que uma colega seja vítima.

A pandemia trouxe novos desafios para as mulheres – instabilidade financeira, preocupações e desentendimentos e a ampliação da sobrecarga do trabalho doméstico –, tornando ainda mais difícil conciliar o trabalho remunerado e o cuidado com os filhos e a casa.

E COMO ROMPER COM ESSA REALIDADE?

Há consenso sobre a importância de ações de sensibilização e conscientização para que essas situações não ocorram, como distribuição de material informativo e palestras educativas para conscientizar funcionários/as.

Também há amplo apoio para ações de denúncia, acolhimento à vítima e punição ao agressor, como canais de denúncia anônima, apoio psicológico e a implementação de uma política efetiva de punição do agressor.

Já quando o assunto é violência doméstica, para grande parte dos/as trabalhadores/as, os arranjos para romper com a situação devem ser individuais, e não institucionais – muito embora 95% da população apoie que as empresas façam palestras sobre o tema para sensibilizar seus funcionários.

Com informações Instituto Patrícia Galvão e Agência Brasil| Imagem: Daria Nepriakhina on Unsplash

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