No Brasil, setor está se estruturando rapidamente com cada vez mais empreendedores interessados em tomar parte neste ambiente de forte impacto social
Por Gabriel Buzzi*
Empreender, na maioria das vezes, significa investir em uma ideia própria e dar vida à esta ideia. Dar movimento à um sonho. Pode significar ainda, investir em um produto genial desenvolvido pelo próprio indivíduo – ou por terceiros – em um rompante de criatividade, agregando conveniência, qualidade e valor em um único produto. Ultimamente, tem sido comum também investir na mudança da realidade de terceiros. O empreendedorismo social.
Neste sentido, tem se tornado cada vez mais normal no mercado a utilização de um termo específico para caracterizar a atuação de empreendimentos que não devem renunciar a seus lucros, mas que devem possuir um forte impacto social: o “setor dois e meio”.
Por seus conceitos tradicionais, o segundo setor representa o mercado de empresas privadas que hoje empregam a maior parte da massa produtiva da nossa sociedade, enquanto o terceiro setor é a definição utilizada para o desenvolvimento dos trabalhos sociais em institutos, associações e organizações não governamentais (ONGs).
Afinal, o que é o “Setor 2.5”?
Assim, o “setor dois e meio” é justamente “o meio do caminho”. São empreendimentos comprometidos com o impacto social e comprometidos como as organizações do terceiro setor – e que são geridos de forma a obter a maior lucratividade possível, característica típica do segundo setor – de forma a garantir o reinvestimento, a remuneração de seu pessoal técnico e sua expansão.
Para isso, é preciso que o gestor tenha em mente de forma muito clara quais são seus objetivos para que a tomada de decisão da gerência esteja sempre orientada para a maximização do impacto social oriundo da sua atividade. Seu planejamento estratégico deve contemplar ainda a busca contínua pelos lucros a fim de garantir a sustentabilidade de seus negócios, preterindo a necessidade de recorrer a recursos de terceiros.
Visando o surgimento de novos empreendimentos neste setor, surgiram pelo mundo diversos fundos de investimento “de impacto”, que se tornaram especialistas em colocar seu dinheiro em iniciativas com características do “setor dois e meio”. Estima-se que globalmente estes fundos gerem cerca de US$ 500 bilhões em ativos e o mercado segue em crescimento exponencial, principalmente neste período de maior sensibilização causado pela pandemia global de COVID-19 quando o mercado tem repensado sua relação com a sociedade.
Quais os desafios do “Setor 2.5”?
Hoje, no Brasil, o setor sinaliza que está se estruturando rapidamente com cada vez mais empreendedores interessados em tomar parte neste ambiente. Além disso, tem surgido grande apelo das aceleradoras de negócios em ajudá-los a se desenvolver, o que pode significar mais recursos financeiros disponíveis, muito embora ainda seja comum ver investidores confundido investimento em negócios de impacto social com doações para filantropia e caridade.
É preciso, portanto, esclarecer que é possível aliar lucro e impacto social de forma séria e comprometida. A busca constante por transparência, a utilização de técnicas avançadas de administração, o desenvolvimento de inovações produtivas e muita criatividade para fornecer seus serviços são sinais de que o setor está no caminho certo. Além disso, a profissionalização do negócio e a adoção das melhores práticas de gestão, apontam que estas organizações almejam voos ainda maiores para gerar melhorias nos respectivos setores em que atuam.
A vontade de “mudar o mundo” é uma constante neste tipo de empreendimento e isso faz com que mesmo os maiores desafios sejam superados, na maioria das vezes, pela solidariedade de um empreendedor que ousou pensar uma nova realidade. É um modelo de negócio voltado para fazer o bem que não apenas movimenta a economia através das empresas privadas, mas ainda, beneficia os indivíduos da base da pirâmide econômica e social.

*Gabriel Buzzi é gerente da Baker Tilly no Rio de Janeiro. Conduz projetos voltados à auditoria das demonstrações financeiras e trabalhos especiais de controladoria, planejamento estratégico e desenvolvimento de controles internos. É palestrante, professor da Pós-Graduação em Diplomacia Corporativa e pós-graduado em Inteligência de Mercado e especialista em Finanças Corporativas pela FGV.
Imagens: Foto de fauxels no Pexels | Divulgação
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