Comemorado em 18 de julho, data homenageia o nascimento de um dos maiores líderes mundiais na luta contra o apartheid na África do Sul
A Fundação Nelson Mandela, que gerencia o legado do ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandela (1918-2013) que completaria 102 anos neste sábado (18/07), realizou a 18ª Conferência Anual Nelson Mandela em parceria com a Organização das Nações Unidas (ONU). A série de palestras da Fundação Nelson Mandela acontece no dia do aniversário de nascimento do primeiro presidente democraticamente eleito da África do Sul e prêmio Nobel da paz (1993). Todos os anos, personalidades mundiais são convidadas para discutir os principais desafios internacionais.
Proferida virtualmente em decorrência da COVID-19 pelo Secretário-Geral da ONU, António Guterres, a conferência trouxe o tema Combater a pandemia da desigualdade: um novo contrato social para uma nova era.

Dedicado à memória de Zindzi Mandela, filha de Mandela e Winnie Madikizela-Mandela, que faleceu no início da semana, o evento contou com as participações do Secretário-Geral na cidade de Nova York e a equipe da Fundação em Joanesburgo, dentre eles o presidente-executivo da Fundação, Sr. Sello Hatang.
O evento também contou com apresentações musicais do coral juvenil de Ndlovu e da campanha ONE. Este último estreou a música ‘Stand Together’, tocada por 10 artistas de todo o continente africano.
Guterres argumentou que a desigualdade se tornou o atributo definidor do início do século 21, algo cruelmente exposto pela pandemia do COVID-19. O último, ele insistiu, expôs: “O mito de que estamos todos no mesmo barco. Porque enquanto todos flutuamos no mesmo mar, é claro que alguns de nós estão em super-iates, enquanto outros estão agarrados aos detritos flutuantes “.
E embora a humanidade possa enfrentar o desafio do coronavírus, o que ele encontrará a longo prazo é que “a desigualdade afunda todos os barcos”. Para entender essa dura realidade, e superá-la, observou Guterres, devemos contar com a resiliência destrutiva do colonialismo, racismo e patriarcado. E devemos construir uma nova ordem mundial dedicada à tarefa de desmontá-las.
Guterres também falou do legado do colonialismo ao dizer que esse é um aspecto histórico da desigualdade. Para ele, o movimento antirracista de hoje é um reflexo dessa realidade.
Ele afirmou que os países do norte, especificamente os europeus, dominaram os Estados do sul “através da violência e da coerção.” Isso levou a enormes desigualdades entre países e dentro deles, incluindo o comércio transatlântico de escravos e o regime do apartheid na África do Sul.
Para ele, o patriarcado é outra desigualdade histórica com efeitos nos dias de hoje.
O chefe da ONU terminou reafirmando a importância da cooperação e solidariedade internacionais. Segundo ele, ou os países estão juntos, ou desmoronam.
Guterres acredita que o mundo está em um ponto de ruptura e é hora de os líderes decidirem que caminho querem seguir. Segundo ele, é preciso escolher entre “caos, divisão e desigualdade” ou corrigir os erros do passado.
Ainda durante a palestra, António Guterres anunciou que o jogador sul-africano de rugby, Siya Kolisi, será o novo embaixador da Boa Vontade para a campanha “Spotlight” para combater a violência a mulheres. A iniciativa é liderada pela agência ONU Mulheres e conta com o financiamento da União Europeia.
Em suas considerações finais, Hatang endossou o Secretário-Geral da ONU. Ele descreveu um contrato social global que se basearia em antigos conhecimentos humanos, estaria enraizado no respeito pela Terra e dedicado ao fim da desigualdade e da supremacia branca em todas as suas manifestações: “Que desafio! Que tarefa! Está em nossas mãos.
Confira a mensagem de vídeo do secretário-geral para o Dia Internacional Nelson Mandela 2020:
Fontes: Fundação Nelson Mandela e ONU




