Queridos leitores, é preciso “coragem pra ser diferente e compromisso para fazer a diferença”. Qual o teu propósito nessa vida?
Por Ilana Bispo*
Qual o teu propósito enquanto vive nesta terra?
O livro do célebre autor Mario Sergio Cortella: por que fazemos o que fazemos? Nos leva a refletir um pouco sobre os nossos propósitos ou qual o nosso foco ou missão nesta terra independente da área em que atua como profissional.
Como professora, há mais de 16 anos, eu não posso deixar de pensar essa questão. Pois é o propósito que nos mantém firmesp caminharmos e seguirmos no dia a dia, mesmo que os obstáculos sejam maiores que nós. É o propósito que nos permite enxergar a linha de chegada mesmo que ela esteja além da nossa visão. É o propósito que nos faz lutar pelos nossos sonhos, mesmo que outros não acreditem que iremos conquista-los. Será que tudo o que vamos fazer na vida temos que entender o porquê e para quê?
Desde os cinco anos brincava com minhas amigas e vizinhas sabendo que o que eu queria fazer não era apenas dar aula, mas, ser uma das melhores professoras. Em 2001, no meu primeiro dia de aula do curso de Magistério, disse para Deus: não quero ser só mais uma professora e nem quero ser a melhor, mas por onde passar quero ser reconhecida como uma dentre os melhores professores. Quero marcar a todos por onde passar.
A frase que intitula minha estréia como colunista no Sala Secreta foi criada por um grupo de adolescentes em um evento e ao refletir sobre o seu significado guardei em meu coração, pois ela me faz lembrar do meu propósito profissional.
Meu nome é Ilana Bispo dos Santos, tenho 37 anos e atuo na área da Educação há mais de 16 anos. Costumo dizer que sou idealista, não pelo que leio e sim pelo que acredito e luto pelo meu ideal. Moro em São Paulo há 14 anos, mas sou natural de Ibicaraí, cidade no sul da Bahia. Trabalho no Centro Renovo de Educação desde 2009, escola que me permite aprender continuamente enquanto ensino. Foi através dessa instituição que pude manter os meus olhos firmes em meu propósito e continuar inspirando não somente alunos mas, também, professores com o desenvolvimento de projetos educativos que pudessem ampliar o conhecimento do aluno. Atuei como coordenadora em uma escola de bairro nobre e lá eu tive o privilégio de inspirar professores a criar e desenvolver seus próprios projetos de forma lúdica e cheios de significados para o processo de ensino – aprendizagem.
Por um ano vivi no continente africano, na qual pude conhecer a realidade educacional do Guiné Bissau, país localizado na África Ocidental. Nesse período pude aprender: a respeito da cultura e características do povo; o dialeto kriolu (sendo este a única coisa a unir toda a população durante anos). Na minha vivência, além de desenvolver projetos educativos pude, também, aplicar treinamentos teóricos e práticos para os professores, para que cada educador criasse experiências únicas para sua sala de aula.
Sabe-se que para alguém aprender algo, tem que ter alguém que lhe ensine. Este alguém é intitulado professor. Ser professor é ser mestre. Um professor que não aprendeu ou não se coloca à disposição para aprender, não poderá ensinar. Pois, ele não é o único a falar mas, também, ouvir e aprender. Uma das minhas habilidades é aprender e nesse aprender, tenho o privilégio de ensinar crianças na fase de pré -alfabetização. É nesta fase que o prazer pelo aprender tem que ser despertado e há diversas maneiras em proporcionar prazer a alguém, mas quando se trata da relação professor- aluno; é necessário que o professor tenha um princípio básico em toda Pedagogia: observar.
Quando o professor observa, ele aprende, aperfeiçoa, molda e se transforma. O professor é aquele que chora quando o seu aluno não vence as barreiras que o impede de tornar-se vitorioso. É aquele que chama a atenção com firmeza, mas, que não deixa de abraçar o seu aluno e dizer: eu te amo, e por isso te corrijo. Um professor marca a vida do aluno com personagens ou com diversas propostas de atividades e técnicas para proporcionar a classe, o aprender. Digo isso, porque sou este tipo de professora. E para isso faço uso de uma das belas artes que mais amo, para despertar, inspirar e marcar a vida dos meus alunos: a MÚSICA. É ela que leva a criança ao autoconhecimento, a percepção de mundo e a conhecer outros mundos, através das palavras. É a música que apresenta um conteúdo, que conclui e que permite que a imaginação e criatividade possam ir além. É a música que faz com que uma turma agitada fique calma, mas que leva a todos a brincar de dança da cadeira, morto e vivo e até a bater palmas.
Como não amar
o que faço? Se o que eu faço me causa prazer em proporcionar o mesmo para
outras pessoas.
Mas, como fazer isso?
Pode-se perceber que no Brasil a Educação é tratada com descaso por alguns e desse modo, o profissional da área não tem motivos para sentir-se motivado para atuar e inspirar pessoas. É preciso ter CORAGEM para atuar na área da Educação brasileira, vencendo as barreiras sociais, econômicas e étnicas. É preciso coragem para fazer a diferença na vida de pessoas que dependem de alguma inspiração e talvez, esta seja a única que conheça. Sem coragem, não conseguimos ver além; sem coragem não conseguimos mudar a realidade a nossa volta e sem coragem não enfrentamos os nossos mundos internos, os quais muitas vezes nos paralisam e nos impedem de fazer a diferença na vida de alguém.
Há em nosso
país muitos corajosos. Pessoas que lutam por muitas causas e que têm sido
inspiração para outras, infelizmente, até de forma negativa. No entanto, quando
se trata da área da Educação, assumi um compromisso pessoal e com as pessoas
com quem tenho ou terei a oportunidade de servir enquanto aprendo. A palavra-
chave da nossa leitura é: COMPROMISSO!
Podemos ter coragem, mas se não tivermos compromisso, ou seja, o que leva a ter
empatia e olhar para o outro da mesma maneira como gostaríamos de sermos
olhado, para nada irá nos servir a coragem.
Um professor que não tenha compromisso com o seu país, com seu povo, com a ética e com as gerações futuras, não pode inspirar e nem marcar a vida das pessoas positivamente. Ele será apenas mais um em meio a multidão. Um professor que não compreende que ele será um eterno aprendiz, jamais poderá ouviro outro e aprender enquanto absorve o que outro diz. Um professor que não usa as belas artes para ampliar o conhecimento do aluno e despertar o prazer pelo aprender não dará oportunidade ao aluno de conhecer e de futuramente decidir em qual área atuar.
Eu, Ilana, fui inflenciada por diversos professores, dentre eles, a professora Nilza, na terceira série de uma escola pública municipal da minha cidade. Nilza é uma mulher que amava ensinar e inspirar. Aprendi com ela a ensinar aos meus colegas tudo o que eu sabia. Eu a auxiliava na sala de aula, após concluir minhas tarefas.
Sem contar a diretora Laurinda, que mulher cheia de amor! Quando ia para a secretaria após o intervalo, as “broncas” dela pareciam um toque de carinho. Vale lembrar das professoras Arlene e Duduzinha do curso de Magistério, que me inspiraram de diversas maneiras…suas aulas jamais foram esquecidas por mim. Todas as semanas, ao preparar um plano de aula, eu me pergunto: como Arlene e Duduzinha dariam esta aula? E dessa maneira, consigo elaborar uma aula lúdica e gostosa. Lógico que os resultados diários são: sorrisos dos alunos ( cinco anos) e abraços, e cada um desses abraços são interpretados como: OBRIGADO!
E como isso é
possível? Ser professor em uma nação que valoriza qualquer outra profissão,
sendo que qualquer profissional se torna excelente ou não em sua área porque
passou por um professor em todo o processo de formação.
No entanto, como é possível pensar em fazer a diferença em um tempo em que a
nova geração é tão ingrata? Como é possível inspirar os alunos em um tempo em
que as mídias os atraem para fora da sala de aula?
Como disse no início. Quando entendemos o PROPÓSITO pelo qual existimos e o por que fazemos o que fazemos. É ele que nos permite olhar para as circunstâncias nos deixando em pé e firmes, não cambaleantes. O propósito não nos faz retroceder e nem regredir.
O meu propósito é poder contribuir com as experiências, pesquisas e práticas no exercício da minha profissão, proporcionando não somente uma reflexão mas, principalmente, aprendizado com os comentários, além de fonte de inspiração com alguns registros.
fotos: arquivo pessoal
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